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Delfim Moreira realiza segunda edição da Festa do Marmelo com festival gastronômico

Durante o evento, serão oferecidas a sopa de marmelo e a marmelada artesanal para degustação gratuita

Delfim Moreira é uma cidadezinha charmosa e aconchegante, incrustada na Mantiqueira.

Delfim Moreira é uma cidadezinha charmosa e aconchegante, incrustada na Mantiqueira

Delfim Moreira é uma cidadezinha charmosa e aconchegante, incrustada na Mantiqueira. Delfim Moreira é uma cidadezinha charmosa e aconchegante, incrustada na Mantiqueira. Delfim Moreira é uma cidadezinha charmosa e aconchegante, incrustada na Mantiqueira.

No século passado quando os marmelais circundavam quase todo o território de Delfim Moreira, uma cidadezinha charmosa localizada nas encostas da Mantiqueira, a Sopa de Marmelo adentrava no ambiente doméstico e conquistava o paladar das famílias.  E neste universo, ela vem sendo repassada de geração a geração. Quente ou fria, com mais ou menos queijo, com farinha artesanal ou industrializada, a Sopa é hoje patrimônio cultural imaterial da cidade, com registro da receita no Livro de Saberes da Municipalidade e no IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais.

Na antiga fábrica da Cica funciona a Prefeitura.

Na antiga fábrica da Cica funciona a Prefeitura

Com o objetivo de promover a salvaguarda desse precioso saber culinário, a Prefeitura de Delfim Moreira, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e do Departamento de Turismo, promove a  Festa do Marmelo – Festival Gastronômico, Cultura e Arte, que está em sua segunda edição. Este evento multicultural, que reúne gastronomia, música e os fazeres e saberes do município, será realizado de 21 a 24 de abril, a partir das 12h, no Parque de Exposição (antiga fábrica da Cica).

O prefeito de Delfim Moreira, Fernando Coura, visita o pequeno marmelal na horta da escola .

O prefeito de Delfim Moreira, Fernando Coura, visita o pequeno marmelal na horta da escola

A ‘estrela’ da Festa é ela, a Sopa de Marmelo, elaborada ao vivo e distribuída gratuitamente durante os quatro dias do evento, assim como também a marmelada artesanal. “A Festa é uma das ações que fazemos para promover a salvaguarda da Sopa. E também proporciona o reencontro de delfinenses que moram aqui e fora e relembram da época da abundância da fruta, das fábricas, da sopa”, destaca o prefeito Fernando Coura, que também vivenciou este rico período, quando criança. “Meu avô era proprietário de marmelais no bairro São Bernardo e eu ajudava na colheita. Lembro, com emoção, da tropa de burros que ia buscar os marmelos e depois descia a serra rumo às fábricas aqui na cidade”, conta.

A Sopa de Marmelo, a razão de ser da Festa, é sempre tema das aulas de educação patrimonial ministradas na Rede Municipal de Educação da cidade.

A Sopa de Marmelo, a razão de ser da Festa, é sempre tema das aulas de educação patrimonial ministradas na Rede Municipal de Educação da cidade

A Sopa de Marmelo, a razão de ser da Festa, é sempre tema das aulas de educação patrimonial ministradas na Rede Municipal de Educação da cidade. A Sopa de Marmelo, a razão de ser da Festa, é sempre tema das aulas de educação patrimonial ministradas na Rede Municipal de Educação da cidade.

A Secretária Municipal de Educação e Cultura, Edméia Alkmin, uma das mentoras para a documentação do estudo da Sopa, enfatiza a importância deste bem imaterial: “A Sopa representa costumes e tradições experimentados entre diversos habitantes ao longo do tempo, apresentando-se como um significativo elo entre o presente e o passado da cidade e a Festa revitaliza a prática deste hábito alimentar que faz parte da história local e ajuda construir identidades individuais e coletivas”.

A secretária de Educação e Cultura, Edméia Alckmin e o diretor de Turismo, Alessandro de Oliveira, integram a comissão organizadora do evento.

A secretária de Educação e Cultura, Edméia Alckmin e o diretor de Turismo, Alessandro de Oliveira, integram a comissão organizadora do evento

Outras atividades do evento

Outro atrativo do evento é o concurso gastronômico com pratos elaborados utilizando produtos locais (marmelo e outras frutas da região, pinhão, queijos e truta). Participam desta atividade proprietários de restaurantes, bares e similares com pratos salgados e donas de casa com sobremesas, doces e quitandas.

No evento, vários artesãos do município irão expor seus trabalhos.

No evento, vários artesãos do município irão expor seus trabalhos

No evento, vários artesãos do município irão expor seus trabalhos. No evento, vários artesãos do município irão expor seus trabalhos. No evento, vários artesãos do município irão expor seus trabalhos.

E para abrilhantar mais a parte gastronômica, duas participações especiais. A equipe do Senac Móvel irá ministrar oficinas com elaboração de pratos sugeridos pela organização durante os dias do evento (inscrições prévias).  Um grupo de professoras do recém-criado curso de Gastronomia da , de Pouso Alegre, irá ministrar uma aula show com pratos elaborados à base de pinhão no dia 23 de abril, às 12h.

Na parte cultural, uma programação eclética: shows com bandas e artistas regionais todas as noites, apresentação dos talentos da cidade e de grupos da cultura popular no decorrer do evento.  Incrementam a programação as feiras de artesanato e de culinária artesanal com produtos da comunidade local.

Durante o evento, será oferecida marmelada artesanal para degustação gratuita..

O CULTIVO DO MARMELO EM DELFIM MOREIRA

Segundo estudos, o plantio da fruta nas redondezas é resultado do desenvolvimento do café no vale do Paraíba, cuja ocupação da área agrícola empurrou os marmelais em direção à Serra da Mantiqueira. Ali, o cultivo da fruta encontra condições favoráveis para seu desenvolvimento, ocupando parte do território já no século XIX. Nessa conjuntura ocorre a introdução do plantio de marmelo em Delfim Moreira, promovida pelo Barão de Bocaina ­- um grande fazendeiro que iniciou a cultura de frutas europeias na região da Mantiqueira.

A iniciativa do Barão logo é disseminada na região. No início do Século XX, pequenos produtores começam a cultivar seus marmelais.  A produção é intensificada com a instalação da primeira fábrica no município, a Colombo. Logo depois, são instaladas a Doces Mantiqueira, Fruticultores, Peixe, Frutiminas, Colombo, Cica, entre outras.

Na década de 1950, o marmelo corresponde a 51% do mercado delfinense. Em 1951, é realizada a primeira e única edição da Festa do Marmelo com oito dias de duração.

No município, uma das rotas para Aparecida/SP.

No município, uma das rotas para Aparecida/SP

Na década seguinte, a comercialização atinge o auge. E Delfim Moreira torna-se referência na produção de marmelada.

Depois do apogeu, o declínio. Na década de 1970, com a crise econômica favorecendo a importação da fruta e os altos custos dos insumos, a produção cai. Na década de 1980, as fábricas fecham suas portas. Encerra-se um período rico na história de Delfim Moreira.

O que ficou deste tempo? Grande parte das construções que abrigavam as fábricas – algumas em estados precários – e doces lembranças naqueles que vivenciaram estes tempos movimentados e de fartura.

Em cada canto, um encanto.

Em cada canto, um encanto

Em cada canto, um encanto. Em cada canto, um encanto. Em cada canto, um encanto.

RECEITA DA SOPA (TEXTO ORIGINAL)

  • Ferve-se 01 a 03 litros de água com açúcar (03 colheres de sopa);
  • Lavam-se 6 a 7 marmelos maduros (até sair os pequenos pelos que cobrem sua superfície) para depois descascá-los;
  • As frutas devem ser cortadas ao meio para retirar a semente, em seguida devem ser picadas;
  • Enquanto todos os marmelos são repartidos, os pedaços precisam ser armazenados em uma bacia com água levemente salobra para que não fiquem escurecidos;
  • As frutas picadas devem ser novamente lavadas antes de serem jogadas ao tacho de água fervente;
  • Quando a água assumir a característica de um caldo (ralo), mistura-se a farinha de milho (a gosto) para se chegar à consistência de um mingau;
  • Acrescenta-se açúcar a gosto;
  • Ao atingir o ponto, desliga-se o fogo;
  • Pica-se uma porção de queijo curado (a gosto) para forrar o prato individual – o queijo também pode ser despejado na travessa, mas nesse caso deve-se tampá-la por alguns minutos;
  • Por fim, o quitute é servido com pitadas de canela ou cravo da índia.

Veja mais: https://www.facebook.com/Festa-do-Marmelo-1717025925208335/?fref=ts

Agende-se!

2ª Festa do Marmelo – Festival Gastronômico, Cultura e Arte, em Delfim Moreira
De 21 a 24 de abril, a partir das 12h
Parque de Exposição (antiga fábrica da Cica)
Entrada franca

* Fotos: Ana Beraldo

Ana Maria Beraldo
Ana Beraldo, jornalista, escritora, produtora cultural, assessora de imprensa da FAI/Santa Rita do Sapucaí, desenvolve projetos editorias e culturais no sul de Minas e em São Paulo, diretora/proprietária da Anauá – Comunicação e Cultura, membro da Academia Pouso-Alegrense de Letras Contato: [email protected]

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