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Dona Rosa, a artista guardiã da Mantiqueira

Foto: Ana Beraldo

Foto: Ana Beraldo

Siga a placa afixada à margem da rodovia a 6 km de Gonçalves: bairro dos Remédios. Vá subindo a serra e contemplando a imensidão da Mantiqueira. Passa a igrejinha Nossa Senhora dos Remédios e logo ali numa curva do caminho, você dá de cara com o universo de dona Rosa Ribeiro, a artista plástica autodidata, a compositora, a poetisa, a doceira, a mãezona, a guardiã daquele espaço encantado. Corpo miúdo, fala solta, riso fácil – ela fala sorrindo – espirituosa, engraçada. Tantos predicados que se torna difícil enumerá-los. Que felicidade estar ali com aquela personagem tão intensa que outro dia foi um dos temas do Globo Repórter em um programa sobre a Mantiqueira.

Foto: Ana Beraldo

Foto: Ana Beraldo

Ao lado do sobrado rosa que construiu com dinheiro de sua arte e a força física do marido, que era pedreiro, ela montou seu ateliê. Lá entre doces feitos por ela, pinceis e tintas – terras coloridas in natura – ela vai dando vida à sua inspiração. Haja criatividade!

Foto: Ana Beraldo

Foto: Ana Beraldo

Ao todo são mais de três mil quadros espalhados por este Brasil afora e até fora dele. Mas antes que a pergunta se faça, ela parece que lê o pensamento e vai logo dizendo: “Nunca repeti nenhum. Pode enfileirar todos aqui – se conseguir – e ver que não tem nada igual”. Minuciosa, atenta aos pormenores da obra, ela comenta sobre seu fazer artístico, quando alguma coisa não está do seu gosto: “A própria pintura ensina. Muitas vezes, quando me deito, eu fico observando só de memória o que está errado. No outro dia, conserto”.

Foto: Ana Beraldo

Foto: Ana Beraldo

Arteira desde criança, ela pintava com carvão as cercas de tábuas, o paiol e até as paredes branquinhas da casa rebocadas com argila para desgosto da irmã mais velha, que, no dia seguinte, tinha que limpar as traquinagens da pequena.

Foto: Ana Beraldo

Foto: Ana Beraldo

Já casada e residindo em Paraisópolis, ela descobriu uma nova técnica: a argila e suas infinitas possibilidades de cores e tons – antes ela usava tintas. Muitas lembranças. “O primeiro pincel foi feito com meu próprio cabelo. Queria fazer mais com os cabelos das crianças, mas elas não deixavam”, conta às gargalhadas.

Viúva, mãe de dez filhos de sangue e uma do coração, ela reside há seis anos no alto da serra com duas filhas. E leva a vida a sorrir, a pintar, a cantar, a zelar dos bichos, das plantas e das gentes de sua convivência e das gentes estranhas que por lá aportam ávidas para compartilhar com ela momentos mágicos – como eu.

Foto: Ana Beraldo

Foto: Ana Beraldo

Ana Maria Beraldo

Ana Beraldo, jornalista, escritora, produtora cultural, assessora de imprensa da FAI/Santa Rita do Sapucaí, desenvolve projetos editorias e culturais no sul de Minas e em São Paulo, diretora/proprietária da Anauá – Comunicação e Cultura, membro da Academia Pouso-Alegrense de Letras

Contato: [email protected]

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