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Pousoalegrense relatou tortura, estupro e humilhação na Ditadura

Inês Etienne Romeu foi a única sobrevivente da Casa da Morte, centro de tortura do regime militar em Petrópolis.

Inês Etienne Romeu

Inês Etienne Romeu

Única sobrevivente da Casa da Morte, centro de tortura do regime militar em Petrópolis e responsável depois pela localização da casa e do médico-torturador Amílcar Lobo. A pousoalegrense Inês Etienne Romeu foi última presa política a ser libertada no Brasil.

Inês Etienne Romeu nasceu em 1942 em Pouso Alegre. Ela foi uma guerrilheira integrante da luta armada contra a ditadura militar no Brasil (1964–1985). Militante e dirigente das organizações de extrema-esquerda VAR-Palmares e Polop, foi a única sobrevivente da Casa da Morte, em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, local onde eram torturados e executados clandestinamente presos políticos brasileiros .

Nascida em Pouso Alegre, Inês mudou-se ainda jovem para Belo Horizonte, onde estudou História e trabalhou como bancária no Banco de Minas Gerais. Já nessa época atuava fortemente à frente do Sindicato dos Bancários e do movimento estudantil.

Então integrante do quadro da chefia VAR-Palmares, Inês foi presa em 5 de maio de 1971, sob a acusação de participar do seqüestro do embaixador suíço Giovanni Bucher, ocorrido meses antes no Rio de Janeiro. . Levada para o DEOPS, espancada e pendurada no pau-de-arara, para escapar das torturas inventou a seus captores que tinha um encontro com um guerriheiro em determinado local. Transportada ao Rio de automóvel, ao chegar ao local tentou suicidar-se jogando-se na frente de um ônibus. Foi arrastada pelo ônibus mas não morreu.

Inês ainda tentou suicídio outras quatro vezes. A partir de certo momento, ela foi informada de que sua tortura não era mais para conseguir informação, pelo tempo decorrido desde sua prisão ela já era inútil como informante, mas era apenas por sadismo.

Em 7 de julho, depois de dois meses de tortura física e psicológica, sabendo-se condenada à morte pelos torturadores, recebe a proposta de cometer suicídio em público, da mesma forma como havia tentado jogando-se em frente ao um ônibus. Inês aceitou, más ao chegar ao local se ajoelhou e começou a gritar e chamar a atenção da população.

Inês foi levada novamente para a Casa da Morte, onde foi humilhada, tendo que cozinhar nua para os militares, e sendo estuprada duas vezes.

Foi então que Inês recebeu a proposta de se tornar uma agente infiltrada da repressão nas organizações de guerrilha urbana, que aceitou para escapar dali. Para garantir que não seriam traídos, a fizeram assinar várias declarações acusando a própria irmã – que nao tinha militância política – de subversão e a gravar um videotape em que se dizia agente do governo e recebia pagamento por isso. Tudo seria usado contra Inês em caso de traição.

Após sua libertação, em 29 de agosto de 1979 – depois de condenada à prisão perpétua, figura jurídica existente no período ditatorial – graças à Lei da Anistia, Inês passou a dedicar-se à denúncia e esclarecimento dos crimes ocorridos nos porões da ditadura.

Em 2003, um novo e estranho fato marcou a vida de Inês. Aos 61 anos, foi encontrada caída e ensanguentada em seu apartamento, com traumatismo cranioencefálico por golpes múltiplos diversos, depois de receber a visita de um marceneiro contratado para um serviço doméstico, o que a fez passar por anos de recuperação e até hoje necessita de ajuda médica por limitações neurológicas.

Última presa política a ser libertada no Brasil, em 2009 ela recebeu o Prêmio de Direitos Humanos, na categoria “Direito à Memória e à Verdade”, outorgado pelo governo brasileiro.

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