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Economia solidária ganha espaço em Pouso Alegre

Duas ações já estão sendo postas em prática: o Fortalecimento da Economia Solidária e a Feira de Troca Solidária. Ambas propõem alternativas de trabalho, renda e consumo consciente.

Imagem: Divulgação Prefeitura

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“Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem”.

Esta é a definição do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em sua página oficial na internet para um fenômeno social que tem ganhado espaço na organização social contemporânea do Brasil. Em Pouso Alegre, a alternativa à economia tradicional começa a integrar as políticas públicas do município. Duas ações já estão sendo postas em prática: o Fortalecimento da Economia Solidária e a Feira de Troca Solidária. Ambas, propõem alternativas de trabalho, renda e consumo consciente.

Os projetos são coordenados por diferentes pastas do governo e, mesmo em estágio inicial, refletem o potencial da Economia Solidária para aglutinar pessoas e grupos. A proposta de Fortalecimento da Economia Solidária, desenvolvida pela Secretaria de Governo, resgatou a presença de artesãos na tradicional “Quarta no Parque”, feira popular realizada semanalmente na Praça João Pinheiro. Orientados pelo Departamento de Mobilização Social da Prefeitura, os artistas se organizaram em cooperativas e têm trabalhado para alcançar bons resultados em conjunto.

A diretora do Departamento de Mobilização Social, Angelita Cruz, explica que o objetivo central do trabalho de fortalecimento da Economia Solidária é estimular a cooperação.

“A ideia é incutir valores como solidariedade, cooperação e respeito à natureza como forma de apresentar novas dimensões de organização e perspectivas de negócios que possam agregar valor e fortalecer as atividades”, sugere. Por esse caminho, avalia a diretora, pode-se chegar a ganhos maiores, mas, principalmente, elevar a qualidade da vida em sociedade.

A defesa dessa perspectiva é feita já há algum tempo por economistas especializados na área. É o caso de Paul Singer. Em um de seus textos sobre o assunto ele sublinha: “Os empreendimentos solidários ou de pequeno porte tendem a adotar a defesa do meio ambiente e do bem-estar dos consumidores e a opor-se a tecnologias que podem ameaçar a biodiversidade, a saúde do consumidor e/ou a autonomia dos produtores associados e individuais.” Atualemente, o professor em economia é o Secretário Nacional de Economia Solidária do MTE.

Cinco grupos de trabalhadores já foram organizados no programa da Secretaria de Governo. A Coraminas, Caminhos da Luz, Mãos que Fazem, APA Associação Pouso-alegrense de Artesanato e Unindo Talentos. Os coordenadores do projeto trabalham com os grupos em busca de estratégias de cooperação, fomento ao trabalho e renda, capacitação e promoção da Economia Solidária.

Imagem: Divulgação Prefeitura

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Feira de trocas

Outro exemplo marcante da inserção da Economia Solidária nas ações do governo municipal, a Feira de Troca Solidária prova que uma alternativa aos arroubos do consumismo é possível. Projetada pela Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres e Promoção dos Direitos Humanos, a Feira também foi agregada à ‘Quarta no Parque’. Nesta quarta-feira (20), a iniciativa entrou em sua segunda semana. A participação popular surpreendeu os organizadores. A análise é da chefe da pasta de Direitos Humanos, Anete Perrone:

“Além do comparecimento, percebemos que o conceito foi muito bem interpretado. Na feira solidária, mais do que os ganhos úteis envolvidos nas trocas de objetos e mercadorias usados, está a interação das pessoas de uma forma verdadeira, algo que não ocorre no mercado comum, onde todos estão interessados em tirar vantagem”, avalia.

Segundo Anete, as trocas promovidas na feira conseguem substituir a ideia de levar vantagem pelo sentimento de compartilhar.

Como funciona a feira

A Feira de Trocas é um resgate do escambo, como é conhecido o comércio por meio de troca que descarta o uso do dinheiro. Na feira criada em Pouso Alegre, a moeda convencional é substituida por uma alternativa, que só tem valor para a troca proposta. Cada objeto negociado é avaliado em “Ecosol”, a moeda cujo nome deriva de Economia Solidária.

“O dono recebe a quantia correspondente e pode adquirir outro objeto ou aguardar que surja algo do seu interesse. A troca passa a ser indireta, eliminando a dependência exclusiva da conveniência individual do negociador e dispensando a necessidade de haver equivalência entre os produtos que serão trocados”, esclarece Anete.

O fomento à Economia Solidária em Pouso Alegre segue uma tendência internacional. No Brasil, as iniciativas prosperam principalmente a partir de programas do governo federal. São exemplos os bancos do povo, empreendedorismo popular solidário e os centros populares de comercialização. De acordo com o MTE, “fruto do intercâmbio dessas iniciativas, existe hoje um movimento de articulação dos gestores públicos para promover troca de experiências e o fortalecimento das políticas públicas de economia solidária”. O caminho foi aberto em 2003, quando o governo Lula criou a Secretaria Nacional de Economia Solidária. Hoje, a pasta é responsável por implementar o programa Economia Solidária em Desenvolvimento, sob o comando de Paul Singer.

Fonte: Prefeitura de Pouso Alegre

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