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Carnaval gera receita milionária para as cidades mineiras

A folia deve movimentar R$ 193 milhões no Estado; Em Muzambinho, Sul de Minas, a expectativa é gerar R$ 15 milhões, já em Ouro Preto a espera é de R$ 60 milhões

Bloco Vermes & Cia, tradicional Carnaval sul mineiro

Bloco Vermes & Cia, tradicional Carnaval sul mineiro

O carnaval é a maior festa do Brasil e movimenta a economia de todo o país. Um estudo realizado em 2013, pelo economista Claudio D’lpolitto da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), mostra que o Carnaval gera impacto direto e indireto em pelo menos 19 segmentos econômicos. Desde fabricantes de itens para a festa, passando pelos setores de higiene e beleza, supermercados, hotéis, empresas de transportes, produtores de shows, músicos e também entre os segmentos que recebem as pessoas que querem fugir da folia, como hotéis, pousadas e retiros espirituais.

O Ministério do Turismo estima que cerca de 6,8 milhões de turistas devem passar pelo país no período de 13 a 18 deste mês, gerando R$ 6,6 bilhões à economia nacional. Em Minas Gerais são esperado 195 mil turistas, a estimativa é que cada turista gaste cerca de R$ 991, movimentando R$ 193 milhões na economia mineira. Em 2014, Minas Gerais recebeu cerca de 190 mil turistas resultando em R$ 177 milhões, de acordo com o Departamento de Estudos e Pesquisas do Ministério do Turismo.

Muzambinho, localizada no Sul de Minas Gerais, é uma das cidades que mais recebem turistas durante o feriado prolongado. O município, com pouco mais de 21 mil habitantes, é dono do maior bloco carnavalesco do Estado, o Vermes & Cia, A programação do evento tem início na sexta-feira com cerca de 16 atrações nacionais e recebe caravanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Bahia e até do exterior.

A população da cidade chega a dobrar durante os cinco dias de folia e os setores de hotelaria, alimentícios, imobiliários e transportes são diretamente beneficiados com o crescimento de turistas durante a festa. “Calcula-se que cada folião gaste, em média, R$ 750. O que gera uma receita aproximada de R$ 15 milhões”, afirma Pedro Pioli, produtor executivo do Carnaval.

E em busca de uma renda extra, muitos moradores preferem alugar suas próprias casas para os foliões. Na avaliação da corretora de imóveis, Fernanda Souza, devido à alta demanda é importante que o turista vá para a cidade com sua reserva garantida. “As pessoas não costumam deixar para a última hora a questão da hospedagem. Ao menos não deveriam. Isso porque a demanda é, de fato, muito alta. A procura por hotéis, casas, área de camping e quitinetes acontecem desde o ano anterior. Sempre recomendamos que as pessoas reservem seu espaço antecipadamente”, explicou Fernanda.

A corretora também afirma que o preço da locação de casas em Muzambinho varia de acordo com o tamanho do imóvel e o número de pessoas. “As casas, em média, custam de R$ 3 mil a R$ 5 mil. Mas o valor modifica de acordo com o que o turista procura”. Guaxupé, Cabo Verde, Guaranésia, Monte Belo, Juruaia, entre outras cidades vizinhas de Muzambinho, hospedam parte dos turistas devido à grande procura por hospedagem e a taxa de ocupação dos hotéis de Muzambinho que gira em torno de 100%.

A festa de Ouro Preto, cidade localizada na região Central de Minas, também contribui de maneira significativa para a movimentação econômica durante a folia. De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio, cerca de 75 mil pessoas são esperadas durante os cinco dias e cada folião deve gastar, em média, R$ 893,15.

Vale ressaltar que nesses 75 mil estão incluídos, não apenas Ouro Preto, mas também os seus distritos. E os dados levam em consideração as pessoas que ficam hospedadas na cidade e também os foliões que vão à Ouro Preto e retornam para suas cidades no mesmo dia já que os principais blocos como Nomad, Barroco Loco e outros se apresentam durante a tarde. “O Carnaval deve resultar em R$ 60 milhões em movimentação financeira no município. Ouro Preto está entre os dez maiores carnavais do país e é uma das cidades que mais recebe turistas durante a folia. Decidimos incrementar ainda mais os tradicionais blocos incluindo shows de grande porte nacional como Chiclete com Banana, Olodum e outros para despertar o interesse do folião pelo carnaval da cidade”, conta Victor Hugo, produtor executivo da Arena Ouro Preto Folia.

Emprego temporário

A folia é responsável por boa parte das contrações temporárias durante todo o verão brasileiro. De acordo com o levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o período é responsável por 72% das contrações sazonais e, este ano, mais de 35 mil contratações devem ser realizadas até o final da estação.

O crescimento é acentuado principalmente pelos setores de alimentação e hospedagem que abrem mais de 10 mil vagas em todo o país. O Grande Hotel de Ouro Preto, um dos mais tradicionais da cidade, é uma das empresas que contratam funcionários temporários para o Carnaval. “Todos os anos fazemos contratações. Este ano contratamos cinco pessoas porque aumenta a demanda para as camareiras e também para o pessoal que trabalha no restaurante do hotel. As nossas reservas estão esgotadas há 30 dias”, afirma Helena Galdino, gerente do Grande Hotel.

Os bares e restaurantes geram 53,4% das vagas ofertadas. Os serviços de transportes de passageiros, agências de viagens, operadoras de turismo, aluguéis de automóveis, atividades culturais, recreativas e esportivas, oferecem, juntos, 5,7% dos empregos temporários. Outro setor que emprega nesse período é o de eventos. “Na Arena Ouro Preto Folia são mais de 250 contratações diretas durante o Carnaval. Entre médicos, brigadistas, seguranças, garçons, recepcionistas, técnicos de som, técnicos de luz e produtores. Ainda não avaliamos o número de contratações indiretas”, ressalta Victor Hugo, produtor executivo do Carnaval de Ouro Preto.

Com informações de Assessoria

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