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Mais 2 policiais são presos acusados de cobrar propina em Pouso Alegre

Um delegado e um investigador já estavam presos desde o dia 2. Advogados dizem que eles queriam R$ 50 mil para 'facilitarem' investigação.

Delegado e investigador foram presos suspeitos de pedir propina em Pouso Alegre

Delegado e investigador foram presos suspeitos de pedir propina em Pouso Alegre

Mais dois policiais civis foram presos sob a acusação participar da cobrança R$ 50 mil de propina de dois advogados em Pouso Alegre (MG). Segundo imagens obtidas pela EPTV, o delegado Erasmo Kennedy de Carvalho informa que na delegacia sabiam do esquema 4 policiais: Ele, Abel, Teobaldo e André.

Erasmo Kennedy de Carvalho e o investigador Abel Caetano Filho foram presos ainda na quarta-feira (2) levados para a casa de custódia em Belo Horizonte, onde devem cumprem prisão temporária de 30 dias. Os outros dois policias, Teobaldo e André prestaram depoimento na noite da quinta-feira (3), e também foram levados para Belo Horizonte.

O caso

Segundo os advogados, a suposta propina seria para ‘facilitar’ um caso de homicídio acontecido no dia 15 de fevereiro em Pouso Alegre. A cliente dos advogados, Ana Carla da Silva, de 26 anos, é suspeita de ter matado o padeiro Igor Jonatas das Chagas, de 25. Os advogados teriam sido obrigados a pagar a suposta propina para que o pai de Ana Carla não fosse colocado como envolvido no caso.

Os advogados contaram que na primeira vez que foram conversar com o delegado, acharam o procedimento estranho. “Eles nos conduziram a uma sala vazia e, dentro desta sala, os dois investigadores, com gestos e posicionamentos, com as seguintes expressões: ‘Não, nós temos que ver como os doutores podem nos ajudar’. Ou expressões do tipo: ‘A gente pode aliviar para o seu cliente ou pode prejudicá-lo. Nós não conhecemos como os doutores trabalham. Então nós gostaríamos de saber como é que vocês trabalham, como que vocês podem nos ajudar’. E coisas e desta natureza”, explicou Gleydston Lopes.

A partir deste momento, eles decidiram gravar toda a conversa com os policiais.

O delegado Erasmo Keneddy de Carvalho aparece em vídeo negociando susposto pedido de propina. Imagem: Reprodução EPTV

O delegado Erasmo Keneddy de Carvalho aparece em vídeo negociando susposto pedido de propina. Imagem: Reprodução EPTV

Advogado: O senhor falou aí de…

Delegado: Cinquenta, né? Mas isso é negociável.

Com a conversa em mãos eles procuraram a ajuda do Ministério Público que acionou a corregedoria da Polícia Civil em Belo Horizonte. Os advogados foram então orientados a armar um flagrante. Nas conversas gravadas, aparece o momento em que a data do pagamento é combinada.

Advogado: Terça-feira mais ou menos, doutor, você acha que está bom? Porque segunda tem audiência.

Delegado: Quarta seria melhor para mim.

“Nesta quarta-feira, dia 2, aonde foi feito o flagrante. Na delegacia de polícia, ao chegarmos com um dos nossos clientes para ser ouvido, o delegado já de pronto já solicitou de novo, falou: ‘E aquela questão do dinheiro? Vocês trouxeram?’. Aí nós falamos: ‘Sim’. Ele solicitou, e a gente falou sim”, explica Freire.

Um investigador foi escolhido pelo delegado para buscar o dinheiro, que estaria no carro do advogado.

Delegado: Agora e aquela questão lá, que estava pendente aí? O Abel vai com os senhores, pode ser?

Advogado: Sim.

Delegado: Os senhores querem aqui mesmo?

Advogado: Vamos lá no carro.

Momento da prisão em flagrante. Foto: Reprodução EPTV

Momento da prisão em flagrante. Foto: Reprodução EPTV

Quando eles saíram, o investigador Abel Caetano Filho foi preso em flagrante pela Corregedoria da Polícia Civil. Em seguida, o delegado Erasmo Keneddy de Carvalho também foi preso.

Câmeras de segurança gravaram o flagrante. Reprodução R7

Câmeras de segurança gravaram o flagrante. Reprodução R7

Nenhum representante dos dois suspeitos foi localizado para falar sobre as acusações até essa publicação.

Com informações da EPTV

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