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Médico que atuou em Pouso Alegre é preso suspeito de estuprar pacientes

Dermatologista teria dopado vitimas para cometer o crime em sua clínica em Montes Claros. Pelo menos seis mulheres dizem ser vítimas do médico

Médico (camisa azul) foi preso em seu consultório (Foto: Mauro Miranda Ferreira / WebTerra)

Médico (camisa azul) foi preso em seu consultório (Foto: Mauro Miranda Ferreira / WebTerra)

Um médico que já atuou em Pouso Alegre foi preso na tarde da quarta-feira (6) em Montes Claros, Norte de Minas. Linton Wallis Figueiredo Souza é acusado de estuprar duas pacientes, de 21 e 23 anos, durante procedimentos estéticos em sua própria clínica.

Após a divulgação do caso, pelo menos seis mulheres dizem ser vítimas do médico.Ele não tinha antecedentes criminais e atendia na cidade desde 2008.

A Polícia Civil começou a investigar o médico depois que duas pacientes relataram os abusos, que também foram confirmados por exames de corpo de delito. Elas são primas, têm 21 e 23 anos, e nunca haviam tido relações sexuais.

“A vítima de 21 anos realizou laser que, em regra, não necessita de sedação, porque é quase indolor. Ela ficou de 13h30 até às 10h30 do dia seguinte dormindo em razão da sedação, o que causou estranheza em alguns familiares que já realizaram o procedimento e não tinham sido sedados. Ao acordar da sedação, ela percebeu um desconforto do órgão genital” explica a delegada. “Ao ir no banheiro, ela percebeu que ele havia cauterizado uma pinta na virilha que ela não havia mostrado para ele”, afirma a delegada.

Jovem procurou a polícia após repercussão do caso.  (Foto: Valdivan Veloso/G1)

Jovem procurou a polícia após repercussão do caso. (Foto: Valdivan Veloso/G1)

A jovem foi levada para casa por uma prima, que precisou da ajuda do namorado para conseguir que ela subisse as escadas do apartamento. Ao acordar, ainda sonolenta, a vítima disse se lembrar de alguns momentos em que Linton Wallis tocava no corpo dela.

A mulher foi submetida a exames no Instituto Médico Legal e em uma ginecologista, e ambos confirmaram o abuso. De acordo com Karine Maia, após a constatação, a prima da vítima, de 23 anos, também se atentou que havia sido dopada por Linton Figueiredo durante um procedimento a laser. Ela também passou por exames e foi confirmado o estupro. Em ambas as pacientes, as avaliações médicas constataram que houve rompimento de hímen.

“Ele era uma pessoa renomada e de grande credibilidade na cidade. Quando iniciei a investigação, perguntava sobre ele sem dizer do que se tratava e até cheguei a ligar na clínica. Todo mundo falava muito bem do comportamento dele como médico, então realmente não levantava suspeitas e as vítimas tinham confiança nele”, fala Karine maia.

Segundo a delegada, o médico teria confessado que sempre olhava as partes intimas das pacientes: “Ele confessou que sempre pedia para fazer um exame clínico no corpo da mulher e chegava a olhar as partes íntimas delas, mesmo que se tratasse de um laser no rosto e mesmo que a paciente apresentassem exames laboratoriais”, falou a delegada Karine Maia.

As vítimas contaram para a delegada que o dermatologista sempre realizava os procedimentos com a porta trancada e sozinho. “Ele alegava que não queria ser incomodado, que se alguém abrisse a porta de uma vez poderia virar o laser e atingir a retina de alguém”, fala Karine Maia.

A partir dos dois casos, a Justiça decretou a prisão temporária do dermatologista, que vale por 30 dias e pode ser prorrogada pelo mesmo período. Também foram apreendidas na clínica e na casa de Linton Wallis computadores e remédios.

A expetativa da Polícia Civil é de que com a divulgação dos casos outras vítimas apareçam. Mais duas mulheres já procuraram pela Delegacia de Mulheres para denunciar o médico. “A partir de agora termos noção do tamanho e dimensão dos crimes, precisamos dar um basta nesta situação e fazer Justiça”, disse a delegada.

Linton Wallis Fiqueiredo Souza foi preso por estupro de vulnerável, já que as vítimas estavam sedadas. A mulher dele, que também trabalha na recepção da clínica, foi ouvida mas negou ter conhecimento dos fatos. Conselho Regional de Medicina também apura o caso. O médico foi levado para o Presídio Regional de Montes Claros.

Os advogados que defendem o dermatologista Linton Wallis Figueiredo Souza informaram que não vão se pronunciar sobre o caso.

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