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Relembre: Eike teve fábrica de Jipes em Pouso Alegre

Fábrica da JPX operou de 1993 a 2001, mas com vários períodos de inatividade. Modelo foi adotado pelo exercito brasileiro, mas fracassou nas vendas após defeitos

Linha de montagem da JPX em Pouso Alegre: produção não atingiu volume previsto, e fechamento definitivo ocorreu em 2001

Eike Batista, preso nesta segunda-feira (30) suspeito dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa, já teve uma montadora de jipes em Pouso Alegre. A montadora  do JPX ficava próximo ao trevo da Rodovia Fernão Dias.

A fábrica foi inaugurada em 21 de janeiro de 1993 e consumiu investimento de 22 milhões de dólares, gerando inicialmente 350 empregos na cidade. A fábrica foi fechada em 2001, e durante os 8 anos, teve vários períodos de inatividade.

O JPX

O Jipe tinha como base o modelo modelo A-3 da Francesa Auverland, jipe utilizado pelo Exército Francês. Porem na sua montagem também eram utilizadas peças nacionais e importada de outras marcas. Tinha uma excelente suspensão e bom acabamento para os padrões da época.

JPX usado pelos militares

Compra pelo Exercito

O JPX teve grandes campanha de Marketing. Os comerciais eram estrelados por Luma de Oliveira, na época, esposa de Eike. Porém o que deu visibilidade ao Jipe foi a sua adoção pelo exercito brasileiro, visando substituir suas viaturas mais antigas.

De acordo com o pesquisador Expedito Carlos Stephani Bastos, antes da compra, os veículos foram reprovados em testes de campo realizados pelos militares. Mesmo assim, o negócio foi fechado. “Foi uma decisão do Estado-Maior do Exército”, explicou. Roberto Nasser lembra-se da transação entre o fabricante e a Força Armada. “A JPX tinha um representante institucional muito ativo em Brasília”, disse.

Estima-se que entre 450 e 550 unidades tenham servido à força armada.

Defeitos do JPX iniciam derrocada

A imagem da JPX começou a deflagrar seriamente ainda nos primeiros anos. Problemas técnicos no sistema de arrefecimento do motor e o despreparo da rede de concessionários em lidar com eles fizeram com que o modelo logo fosse desacreditado no mercado.

Com a queda nas vendas a crise interna se agravou e veio a decisão de paralisar as atividades em 1996 e, com ela, mais problemas surgiram, já que os fornecedores e concessionários começaram a ameaçar a empresa com medidas judiciais por quebra de contrato.

Eike Batista nos anos 90

Os últimos anos da JPX

Avaliando o ônus financeiro a ser gerado com a desativação da JPX, Eike Batista decidiu reestruturar as atividades da empresa e reiniciar a produção a partir de 1997, porém em volume bastante reduzido. Os resultados financeiros, entretanto, continuavam bastante aquém do esperado e, em 2001, a produção foi definitivamente encerrada, mesmo após o lançamento em 2000 de uma nova versão do jipe Montez.

Segundo fontes ligadas à antiga fábrica, Eike Batista teria perdido o interesse pelo empreendimento em face dos prejuízos financeiros que se acumulavam.

Eike Batista com o jipe de sua montadora, o JPX Montez (Sergio Cardoso)

Prejudicados

O fechamento da empresa causou prejuízo para muita gente. Acreditando na aposta de Eike, muitos investiram em concessionárias da JPX, e com o fim da marca, acabaram tendo grandes prejuízos. Já quem comprou os Jipes passa dificuldades para encontrar peças e hoje muitos recorrem a um ex-funcionário da fábrica que mora em Pouso Alegre para conseguir manutenção.

Estima-se que ao menos mil veículos da marca ainda circulem pelas ruas e, principalmente, pelas terras do país. É pouco mais de um terço dos cerca de 2.800 que a montadora produziu durante todo seu tempo de operação.

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