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Exoneração de vice-diretora de escola após participar de manifestação gera polêmica em Pouso Alegre

Secretária de Educação diz que a servidora ocupa cargo de confiança e descumpriu ordem de permanecer na escola. Com a exoneração do cargo, vice-diretora volta a ser professora da rede municipal de ensino

A vice-diretora, Marina Brunhara (1ª do lado esquerdo), durante manifestação pela manhã. No cartaz, mensagem cita “apesar da opressão”, em referência a atitude do prefeito de descontar dia de servidores (Foto: Reprodução Terra do Mandu)

A exoneração da vice-diretora de uma escola municipal de Pouso Alegre deixou muita gente revoltada, e gerou muita discussão. Marina Brunhara, foi exonerada do cargo de vice-diretora da pré-escola municipal Monsenhor Mendonça na quinta-feira (16), um dia após ter participado de uma manifestação contra a reforma da previdência, na quarta-feira (15) pela manhã.

Nas redes sociais, centenas de pessoas se dividiam entre as que enviavam mensagens de apoio a vice-diretora, e criticava o prefeito (PSDB), e  aqueles que apoiavam a atitude da prefeitura.

O Sindicato dos Profissionais da Educação da Rede Municipal de Pouso Alegre e Região (SIPROMAG) divulgou nota de repúdio sobre o caso e questionou: “É incompatível lutar pelo futuro dos trabalhadores? É lamentável no ano de 2017 ainda termos em nosso país traços marcantes de posturas ditadoras e repressoras, gestores que querem a todo custo cercear o direito da sociedade em lutar por seus direitos”, acusou o Sindicato.

no final da tarde de quarta-feira, 15 (Foto: Sipromag)

Professora concursada, Marina era vice-diretora da escola há 10 anos. Em 2015, participou de um processo de indicação e foi eleita através da votação de pais e funcionários, assim como na maioria das escolas municipais. O mandato seria de quatro anos, mas os cargos continuariam sendo apenas cargos comissionados, nesse caso, indicados pela comunidade. Com a exoneração do cargo de vice-diretora, Marina volta a ser professora de Português na rede municipal de ensino.

Segundo a Secretária de Educação, Leila Fonseca, o motivo da exoneração é que Marina teria desobedecido a uma ordem para que diretores e vice-diretores permanecessem nas escolas: “As diretoras perguntaram: Vamos poder ficar em casa e ir para a paralisação? Eu disse: Olha, vocês fazem parte dos cargos comissionados. Então vocês vão ficar na escola. Por que tem muita gente que não foi na aula hoje, alunos que não ficaram sabendo, muitos pais não tem onde deixar os filhos, as vezes vai chega merenda, qualquer eventualidade que possa acontecer, vocês estarão na escola. Então cumpram o horário de vocês. Cada um cumpra o seu horário”, contou a secretária.

Ao site ‘Terra do Mandu’, Marina disse que não foi comunicada da orientação, nem por e-mail, ofício ou oral. Disse ainda que assinou a lista passada na escola onde os servidores que aderiram à paralisação assinaram e, que a diretora permaneceu na escola e estava ciente de sua participação no protesto. Ela afirmou ainda que a atitude se trata de abuso de poder e arbitrariedade. Marina Brunhara diz que se sentiu no direito, como cidadã, de participar de um ato público contra a reforma da Previdência. “Não foi nenhum ato contra a prefeitura, nem manifesto partidário”, disse a imprensa.

Leila diz que a vice-diretora foi comunicada, e questionou a forma como a manifestação foi coordenada, paralisando as aulas: “A diretora da escola, que foi exonerada, foi comunicada como todas as outras, pelo whatsapp, e ela não ficou. Ela foi para a avenida, pelo horário da manhã, que era o horário dela de trabalho. E a manifestação aconteceu de verdade às 17 horas. Por isso que tomei essa decisão. O relato que tenho escutado de professores e de pais é que sempre tem um grupo privilegiado, e que uns trabalham pela minoria. E estou procurando seguir a lei, fazer tudo direitinho. Não teve nada de perseguição. ‘Porque ela foi lutar pelos direitos dela’. Ela poderia ter ido depois do meio dia, depois das 11h30. Se eles [sindicato] tivessem coordenado fazer isso direitinho, por que não ter aula? É obrigação ter o dia letivo. Tive pai cobrando, e o que acontece? Agora vai ter que repor outro dia. Vai ficar caro para a prefeitura isso. Temos que ter os 200 dias letivos. E ai poderia ter tido aula, a gente liberaria as 16h30, e ia em massa pra avenida. A gente ia com bandeira, tudo que fosse preciso, porque eu também vou aposentar. Então estou achando uma coisa muito injusta. Querem defender o que é errado. Cadê a justiça? Cadê a ética? Todos criticam os homens grandes lá em cima. Mas começa nas pequenas coisas. Tenho que lutar pelo direito das crianças de ter aula no horário certo”, finaliza a secretária.

A vice-diretora foi procurada pelo PousoAlegrenet, mas preferiu não se pronunciar.

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