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Conselho interventor toma posse da FUVS em meio a manifestação hostil em Pouso Alegre

Dezenas de alunos e funcionários da Fundação fizeram manifestação em volta do prédio e hostilizaram os membros do conselho interventor. Ex-presidente não quis assinar a transferência do cargo, mas o presidente indicado tomou posse seguindo a ordem judicial

Conselho interventor tomou posse da fundação (Foto: PousoAlegrenet)

O conselho indicado pelo Governo do Estado para intervir na Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí (FUVS) tomou posse na tarde desta quinta-feira (17). O médico e Diretor da superintendência regional de saúde, Luiz Augusto de Faria Cardoso, assumiu a presidência.

A chegada dos indicados e do oficial de justiça foi conturbada. Dezenas de alunos do Colégio Anglo, da Univás, e alguns funcionários da fundação protestavam na entrada do prédio da presidência. Eles se aglomeraram em volta dos indicados, que tiveram que ser escoltados pela polícia para chegarem ao prédio.

Funcionários e alunos da fundação protestaram em frente prédio da presidência da FUVS (Foto: PousoAlegrenet)

Alguns vereadores de oposição ao grupo do prefeito Rafael Simões (PSDB), que foi presidente da Fundação até 2016, estiveram no local e foram fortemente xingados e hostilizados pelos manifestantes. Não houve agressão física enquanto nossa reportagem estava no local.

Os indicados foram recebidos pelo até então presidente da Fundação, Dr. Luis Roberto Martins. Porém, após cerca de uma hora, Luis Roberto saiu do prédio e anunciou que não assinou a transferência do cargo. Ele não quis falar com a imprensa, e foi embora do local sob aplausos e muita festa por parte dos manifestantes.

Mas, mesmo sem a assinatura do então presidente, devido à ordem judicial, o novo conselho tomou posse da Fundação, diante do Oficial de Justiça. O novo presidente da Fundação deu coletiva aos jornalistas que cobriam o ato. Confira:

Coletiva

Posse sem assinatura do ex-presidente

“A transmissão do cargo não foi feito por uma das partes, mas o mandato judicial tem validade. Uma vez que já foi lavrada a ata nos termos do estatuto, e uma vez lavrada a ata pelo atual conselho diretor, isso vai ser protocolado, mas automaticamente já estamos empossados. Essa foi uma orientação que provavelmente não partiu do jurídico da fundação”, explicou o novo presidente, Luiz Augusto de Faria Cardozo.

Transição em meio a resistência  

“Primeiro que resistência de quem só ouviu uma das partes eu não considero resistência. Acho que a gente vai ter que trabalhar de uma forma muito próxima de cada representatividade, de cada categoria aqui dentro, seja dos alunos, dos professores, dos funcionários, dos usuários. Essa situação vai ser trabalhada para que eles entendam o que está acontecendo.”

Suposto corte de bolsas

O novo presidente falou do suposto corte de bolsas, que teriam sido dito a estudantes nas salas de aula e nas redes sociais: “A gente percebeu que muitas pessoas falaram de corte bolsas e de situações que absolutamente não tem procedência. Nós estamos aqui para cumprir o mandato judicial e garantir a legalidade do processo de transição, tanto do ponto de vista da administração, como na condução do processo eleitoral”, enfatizou Luis Augusto.

Nova eleição

Quanto a realização de uma nova eleição, Luiz Augusto disse que não há prazo: “A decisão judicial não estabelece prazos, mas nós temos um compromisso dentro do que foi previsto no processo de garantir que aconteça o processo eleitoral. É claro que, se houvesse uma passagem de cargo, nós ficaríamos muito mais a vontade inclusive para poder ter acesso a informações imprescindíveis para a viabilidade da administração. Agora, como isso não foi feito, nós temos que nos inteirar da situação da instituição em todos os seus aspectos, sejam eles educacionais, assistenciais, financeiros, administrativos, ter acesso para todos os instrumentos necessários para uma boa gestão, para que a gente possa de fato ter condições de trabalhar nessa transição”, conta.

A intervenção

“Nosso plano e projeto é de fortalecimento da instituição. A partir do momento que estamos aqui para cumprir uma decisão judicial para garantir a legalidade da administração é exatamente no cunho de não colocar em risco os usuários e aqueles que dependem dessa instituição. O Governo do Estado de Minas Gerais ficou extremamente preocupado a partir do momento que tomou ciência de que essa alteração do estatuto teria sido feita em um âmbito considerado de ilegalidade. Com isso, todo e qualquer ato administrativo fica sob prejuízo ou correndo o risco de algo que posteriormente possa impactar na vida de todo mundo. Então diante disso o judiciário entendeu e nós estamos aqui para cumprir essa decisão da melhor forma possível”.

Situação financeira e dívida do governo do Estado

“Toda essa situação vai ser levantada a partir de agora. E a cada situação financeira que é de direito da instituição nós vamos buscar a solução seja em qual ente estiver a responsabilidade. Então, uma vez que fomos uma vez empossados, ainda não tivemos acesso a essas informações, nós precisamos apurar o mais rápido possível para que a gente possa garantir a sustentação financeira da instituição que com certeza vai impactar em tudo isso que a gente colocou”, finalizou Luiz Augusto.