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PGR denuncia Odair Cunha por receber R$ 150 mil desviados da CNT

Empresa teria simulado prestação de serviços e repassado dinheiro para campanha de Cunha à presidência do PT em MG. Confederação nega irregularidade, e diz que transação foi um empréstimo feito por um diretor

Odair Cunha é acusado de receber R$ 150 mil desviados da CNT para campanha à presidência do PT (Foto: Ed Ferreira / Estadão Conteúdo)

Um dos políticos mais votados no Sul de Minas na última eleição, o deputado federal licenciado, e Secretário de Governo do Estado de Minas Gerais, Odair Cunha (PT), foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de receber R$ 150 mil que teriam sido desviados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), entidade mantida por recursos de contribuições sindicais.

Alexandre Romano foi preso na operação Lava Jato (Imagem: reprodução Globo)

A acusação foi feita ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo então procurador, Rodrigo Janot, antes de encerrar seu mandato. A denúncia surgiu após delação pelo ex-vereador do PT, Alexandre Romano – preso na operação ‘Lava Jato’ – que entregou documentos que comprovariam a fraude.

Clesio Andrade comanda a CNT há 24 anos (Foto: CNT)

Segundo Janot, a fraude teria acontecido com anuência do diretor da CNT, Aristides França Neto, e do presidente da CNT, Clésio Andrade. Clésio Andrade (PMDB) comanda a CNT há 24 anos. Ele foi vice-governador de MG na Gestão Aécio Neves (PSDB) de 2003 a 2006, e senador por Minas Gerais. Clésio responde na justiça pelo caso conhecido como o mensalão mineiro.

De acordo com a denúncia, uma empresa de Romano simulou à confederação a prestação de serviços de “consultoria referente a estudos de mercado de empresas de Tecnologia da Informação para otimizar os serviços de suas associadas no setor logístico”. A empresa emitiu notas fiscais frias e recebeu pagamentos em sua conta bancária. Depois, sacou os R$ 150 mil e repassou a Cunha.

Segundo o delator, o dinheiro era para cobrir gastos da campanha interna de Odair Cunha à presidência regional do Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais, vencida em 2013.

A Procuradoria pediu ao Supremo Tribunal Federal a condenação de Odair Cunha, Clésio Andrade, Aristides França e Alexandre Romano pelos crimes de apropriação indébita (até quatro anos de cadeia) e lavagem de dinheiro (até dez anos), além da restituição do valor desviado e da perda do mandato.

O outro lado

Procurada, a CNT informou que os R$ 150.000 foram devolvidos a CNT e corrigidos monetariamente e enviou comprovantes de depósitos. O PousoAlegrenet não conseguiu contato com Clésio Andrade e Aristides França. Segundo a radio CBN, os advogados de Andrade informaram que a transação foi um empréstimo feito por Aristides França à Odair Cunha. A defesa afirma inclusive que Aristides já teria pago esse valor de volta. Além disso, por se tratar de uma entidade privada, a defesa argumenta que o repasse de dinheiro da CNT não teria qualquer irregularidade.

Procurado pelo PousoAlegrenet, a assessoria de Odair Cunha enviou nota do advogado de defesa do deputado. Ele disse que a denúncia é equivocada, que não houve crime, e que seu cliente sequer foi ouvido. O advogado ainda defende que “a denúncia faz referência a patrimônio particular e não público, portanto, não lhe atribui nenhum ato de corrupção, peculato ou qualquer delito contra a administração pública, relacionado ao exercício do Mandato Parlamentar ou ao exercício de cargo público”, defendeu o advogado do deputado.