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Polícia Federal cumpre mandados contra seita em Pouso Alegre e região

Líderes são investigados por manter fiéis em situação análoga à escravidão em propriedades rurais e empresas.

Cafeteria foi interditada pela Polícia Federal (Foto: PousoAlegrenet)

A Polícia Federal realiza na manhã desta terça-feira (6) uma nova operação contra uma seita religiosa “Comunidade Evangélica Jesus, a verdade que marca”.

A seita é investigada desde 2011, suspeita de manter fiéis em situação análoga à escravidão em propriedades rurais e empresas em Minas Gerais e Bahia, e ainda se apoderar de todos os bens das vítimas.

A operação “Canaã – A Colheita Final” acontece com apoio do Ministério do Trabalho e cumpre 22 mandados de prisão preventiva, 17 mandados judiciais de interdição de estabelecimentos comerciais, além de 42 mandados de busca e apreensão.

Entre os alvos da operação estão investigados em pelo menos quatro cidades do Sul de Minas – Poços de Caldas, Pouso Alegre, Minduri e São Vicente de Minas.

Ao todo, foram interditados 17 estabelecimentos. Em Pouso Alegre, foram interditados os restaurantes “Circuito das Águas” e “Café Bombom”.

Restaurante também foi interditado (Foto: PousoAlegrenet)

Investigações

Além de manter trabalhadores em condições de escravos, os líderes da seita religiosa são investigados por tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Os líderes teriam aliciado pessoas na sede de uma igreja em São Paulo (SP). As vítimas foram induzidas a doarem todos os bens para a organização criminosa. Depois de trabalhos psicológicos e de doutrina, as pessoas eram levadas para centros de convivência em zonas rurais e urbanas de Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

Nos locais, eram submetidos a trabalhos em estabelecimentos comerciais e lavouras sem remuneração. Com o trabalho escravo e a apropriação de bens das vítimas, os líderes viviam de patrimônios luxuosos e altos faturamentos.

As investigações apontaram que o grupo conseguiu expandir investimentos para o estado do Tocantins, com exploração ilegal.

A investigação teve início em 2011, quando a seita estava migrando de São Paulo para Minas Gerais.

Em 2013, foi deflagrada a “Operação Canaã”, com inspeções em propriedades rurais e em algumas empresas urbanas.

Em 2015, foi desencadeada sua segunda fase: “De volta para Canaã”, quando foram presos temporariamente cinco dos líderes da seita, incluindo o pastor, considerado um dos principais lideres da organização, e que foi preso em Pouso Alegre.

Segundo a polícia, os investigados podem cumprir até 42 anos de prisão, em caso de condenação.

O nome da operação é uma referência bíblica à terra prometida.

O PousoAlegrenet não encontrou ninguém da Seita “Jesus a Verdade que Marca” ou das empresas para comentar.

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