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Personalidades

Adalberto Ferraz

O primeiro prefeito de Belo Horizonte foi Adalberto Dias Ferraz da Luz, nascido em Pouso Alegre em 1863. Após estudar Humanidades em Ouro Preto, graduar-se em Direito pela FDRJ e iniciar sua carreira política como deputado, Adalberto foi nomeado pelo então Presidente de Minas Gerais Crispim Jaques Bias Fortes o primeiro prefeito da nova capital (até então chamada Cidade de Minas), hoje Belo Horizonte.

Adalberto se formou em Direito em 1888 e, logo após seu retorno à cidade natal, foi nomeado Juiz Municipal de Pouso Alegre. Iniciou sua carreira política, entretanto, quando de sua transferência para a cidade de Ouro Preto. Foi deputado na Constituinte Mineira e na 1ª Legislatura. Perdeu seu mandato de deputado por aceitar um convite do presidente de Minas, Afonso Augusto Moreira Pena, para ser chefe de polícia do Estado, cargo que exerceu entre novembro de 1892 e fevereiro de 1894.

Ao longo desses dois anos, Adalberto ainda lecionou na FLDMG, da qual foi um dos fundadores e onde voltaria a lecionar Direito Comercial entre 1898 e 1899. Em 1895, foi reeleito deputado estadual, mas não chegou a tomar posse do cargo, uma vez que o convite para prefeito da capital concidiu com sua eleição. Adalberto se tornou prefeito da então Cidade de Minas logo após a transferência do governo para a cidade. O político havia sido consultor jurídico da comissão construtora da capital mineira, liderada por Aarão Reis.

Ferraz da Luz esteve à frente da Prefeitura até setembro de 1898. Foi ainda fiscal do governo mineiro junto à Estrada de Ferro Leopoldina e o primeiro Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Deputado federal da 4ª à 6ª legislaturas (1900-1908), liderou a bancada mineira e, durante o governo Campos Sales, a Liderança da Maioria (1901). Nomeado para o cargo de juiz distribuidor do Fórum do Rio de Janeiro, renunciou ao mandato parlamentar em maio de 1907. Adalberto Dias Ferraz da Luz faleceu em Belo Horizonte, em 27 de outubro de 1912.

Benjamin Franklin Silviano Brandão

Filho do também político, ex-governador de Minas Gerais e ex-vice-presidente da República, Francisco Silviano de Almeida Brandão, nasceu em 1878 e, aos trinta e um anos de idade, foi nomeado pelo então presidente do estado, Wenceslau Braz, prefeito de Belo Horizonte.

Graduado em Engenharia de Minas e Civil, pela Escola de Minas de Ouro Preto, antes de se tornar prefeito da capital mineira, foi nomeado oficial de gabinete de seu pai, então presidente do estado. Passou uma temporada nos EUA e Europa aperfeiçoando-se em Eletrônica. Ao retornar, fundou e dirigiu a Companhia da Força e Luz de Pouso Alegre, cidade onde nasceu. Dentre os feitos de Benjamim, este é um dos que merece maior destaque, pois, em decorrência disto, fez de sua cidade natal uma das primeiras a ter energia elétrica no país.

Em 16 de abril de 1909, foi nomeado prefeito de Belo Horizonte. Dentre suas realizações à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, vale detacar o prolonagamento das linhas para abastecimento d’água e da rede de manilhas para esgoto e águas pluviais; instalação de quatro chafarizes no Barro Preto; construção de barracões para clubes carnavalescos, coretos para o carnaval e o Teatro Municipal; obras de melhorias no Parque Municipal; e a canalização do córrego Acaba Mundo, na Praça Benjamim Constant. Ocupou o cargo de prefeito de Belo Horizonte até setembro de 1910.

Sua vida pública após a gestão na Prefeitura de Belo Horizonte inclui a nomeação como engenheiro chefe da comissão encarregada de executar os serviços de aproveitamento das águas do Cercadinho no abastecimento de Belo Horizonte; a participação como um dos fundadores e catedráticos da Escola de Engenharia de Minas Gerais; e uma passagem com integrante do quadro de engenheiros do governo do estado. Benjamim Franklin Silviano Brandão ocupou este último cargo até o seu falecimento, em dezembro de 1921.

Walter Moreira Salles

Walter Moreira Salles (Pouso Alegre, 28 de maio de 1912 — Petrópolis, 27 de fevereiro de 2001) foi um empresário, banqueiro , diplomata e advogado ,formado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), brasileiro, mas não de carreira. Foi ministro da Fazenda do Brasil, no governo João Goulart.

Em 1924 seu pai, João Moreira Sales, fundou em Poços de Caldas a Casa Bancária Moreira Salles. Em 1933, Walter tornou-se sócio da casa que, em 15 de Julho de 1940, foi elevada à condição de Banco Moreira Salles, após fusão com mais três bancos da região. Em 1967 o nome da instituição foi mudado para União de Bancos Brasileiros S.A. e em 1975 o conglomerado financeiro passou a ser denominado Unibanco.

O banqueiro Salles era muito mais conhecido como embaixador, posto que exerceu duas vezes em Washington na década de 1950. Além disso, foi ministro da Fazenda no gabinete parlamentarista de João Goulart. Ele ganhou a admiração do presidente Juscelino Kubitschek pela fama de conciliador em suas incursões diplomáticas. Foi um dos negociadores da dívida externa brasileira na década de 1950 em três ocasiões, nos governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros.

Conhecido pela discrição, educação rebuscada, bom humor e charme, o embaixador tinha muitos amigos famosos, dentre eles o roqueiro Mick Jagger, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a atriz Greta Garbo.

O embaixador, banqueiro e advogado de formação morreu aos 88 anos em 2001, em Araras, distrito de Petrópolis, no Rio. A causa da morte não foi revelada pela família.

No início dos anos 1990 foi fundado o Instituto Moreira Salles, uma entidade de assistência à cultura do país.

No Unibanco, o prêmio Walter Moreira Salles, é o mais importante prêmio interno da instituição que o homenageia. É concedido uma vez ao ano àqueles que são os responsáveis por projetos de excelência e que contribuíram para a evolução e atuação do banco.

Deixou quatro filhos: Pedro Moreira Salles, atual presidente do conselho do Itaú-Unibanco, o cineasta Walter Salles Júnior, o documentarista João Moreira Salles e o editor Fernando Roberto Moreira Salles.

Sales casou-se três vezes: aos 28 anos, com Helène Matarazzo, com quem teve Fernando; separou-se no final dos anos 1950 e casou-se com Elisa Gonçalves, mãe dos outros três filhos, ficando com ela até o início dos anos 1970. Em 1986, conheceu Lúcia Salles, sua última mulher.
Há uma sala no Ibmec São Paulo com seu nome, em homenagem.

Carreira:

Wálter Moreira Sales nasceu em Pouso Alegre (MG) no dia 28 de maio de 1912, filho de João Moreira Sales e de Lucrécia Vilhena de Alcântara Moreira Sales. Em 1932 ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo (SP).

Ao atingir a maioridade tornou-se sócio da Moreira Sales & Cia., assumindo o cargo de gerente da seção bancária, o que o obrigava a viajar três vezes por semana para Poços de Caldas. A casa bancária, fundada em 1924, estava voltada para operações de financiamento da produção local de café por meio de convênios com o Banco Francês e Italiano, o Banco Alemão Transatlântico e outras instituições estrangeiras sediadas em São Paulo.

Concluiu o curso de direito em 1936 e quatro anos depois assumiu o cargo de diretor do recém-fundado Banco Moreira Sales, resultado da fusão da instituição financeira de seu pai com a Casa Bancária de Botelhos e o Banco Machadense.

Em 1948 Moreira Sales foi eleito para dirigir a Carteira de Crédito Geral do Banco do Brasil. Com a posse de Getúlio Vargas em 31 de janeiro de 1951, Horácio Lafer foi nomeado para ocupar o Ministério da Fazenda e convidou Moreira Sales, com quem possuía negócios comuns, para ser o diretor executivo da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc).

Sintonizado com o esforço desenvolvido pelo ministro da Fazenda em obter financiamento internacional para projetos elaborados pela Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, Moreira Sales integrou a delegação brasileira que participou em Washington da IV Conferência de Consulta dos Chanceleres Americanos, convocada em 1951 por iniciativa dos Estados Unidos.

Num contexto em que aumentavam as pressões dos Estados Unidos por um alinhamento mais efetivo do Brasil ao seu programa militar, Válter Moreira Sales deixou a direção executiva da Sumoc e assumiu, em junho de 1952, o posto de embaixador em Washington. Deixou a embaixada em agosto de 1953, retornando em seguida à condução dos seus negócios bancários.

Em junho de 1959 o presidente Juscelino Kubitschek rompeu as negociações entre o governo brasileiro e o FMI, considerando inaceitáveis as exigências desta instituição para conceder o empréstimo solicitado. No mês seguinte nomeou Moreira Sales para substituir Ernâni Amaral Peixoto na embaixada em Washington, pretendendo assim manter um bom relacionamento com os Estados Unidos que, desde a vitória da Revolução Cubana, mostravam-se mais sensíveis à reivindicação brasileira de adoção de um grande plano de cooperação econômica com a América Latina. Moreira Sales permaneceu no cargo até fevereiro de 1960.

No governo de Jânio Quadros, Moreira Sales voltou a ser convocado para atuar no âmbito das relações econômicas entre o Brasil e os Estados Unidos. A renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961 precipitou uma grave crise política, solucionada uma semana depois com a adoção do regime parlamentarista, que viabilizou a posse do vice-presidente João Goulart. Tancredo Neves, nomeado primeiro-ministro, indicou Válter Moreira Sales para a pasta da Fazenda com o objetivo de tranqüilizar os meios empresariais brasileiros e estrangeiros.

A partir de 1964 Sales passou a dedicar-se exclusivamente à expansão de seu banco. Com a morte de seu pai, em 1968, assumiu o comando da instituição que, em 1975, adotou o nome de Unibanco.

Em 1980 o Unibanco representava um vasto conglomerado que atuava como banco comercial, banco de investimentos, financeira, empresa de crédito imobiliário, seguradora, corretora de valores mobiliários, empresa de leasing, distribuidora de títulos, administração de bens patrimoniais, editora, publicidade, gráfica, planejamento, comércio, transportes e serviços.

Em 1991 deixou a presidência do conselho de administração do Unibanco, sendo sucedido por Roberto Konder Bornhausen. A partir de então, tornou-se presidente de honra do conselho de administração do Unibanco.

Na década de 1990 centrou suas atenções no Instituto Moreira Sales, entidade civil sem fins lucrativos criada em 1990 e mantida pelo Unibanco. O instituto tornou-se responsável por quatro centros culturais instalados em Poços de Caldas (MG) em 1992, São Paulo em 1996, Belo Horizonte em 1997 e Rio de Janeiro em 1999, bem como pela coordenação das atividades do Espaço Unibanco de Cinema, rede de cinemas de arte localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Porto Alegre. Moreira Sales tornou-se, em 1991, presidente da diretoria e do conselho consultivo do Instituto Moreira Sales. Tornou-se também presidente da Casa de Cultura de Poços de Caldas.

Casou-se em primeiras núpcias com Hélène Blanche Tourtois Moreira Sales, com quem teve um filho. Em segundas núpcias, com Elisa Margarida Gonçalves Moreira Sales, com quem teve três filhos. E em terceiras núpcias com Lúcia Regina Moreira Sales.

Fonte: FGV

Senador José Bento

José Bento Leite Ferreira de Melo nasceu na província de Minas Gerais, na vila, hoje cidade da Campanha, aos 6 de janeiro de 1785. Foram seus pais o sargento-mor José Joaquim Leite Ferreira de Melo e D. Escolástica Bernardina de Melo. Descendia de uma família ilustre da vila de Guimarães em Portugal, e da família Prado da cidade de S. Paulo.

Destinado por seus pais ao estado eclesiástico, aprendeu a língua latina na vila da Campanha e seguiu logo para a cidade de S. Paulo a fim de instruir-se nas ciências morais e teológicas.

Em S. Paulo residiu com o virtuoso bispo D. Mateus até a conclusão da sua carreira.

Em 1810 foi criada a freguesia de Pouso Alegre na capela do Senhor Bom Jesus do Mandu. O padre José Bento compareceu ao concurso feito para provimento dessa igreja, e conseguiu ser apresentando e colado. Logo depois foi nomeado vigário da vara da comarca eclesiástica, ministério que exerceu até o seu falecimento.

O governo imperial nomeou-o cónego honorário da Sé de S. Paulo, e posteriormente cavaleiro e comendador da Ordem de Cristo.

A povoação do Mandu, sede da nova freguesia, constava então de meia dúzia de casas de aparência miserável. O padre José Bento apenas tomou posse da freguesia, meditou fundar uma povoação importante nas belas margens do Sapucaí. Atraiu para aí muitos amigos e parentes e lançou os fundamentos da cidade de Pouso Alegre, uma das mais importantes povoações do sul da província de Minas.

O alinhamento das ruas, a disposição das habitações, tudo que interessava à beleza e aformoseamento da nova povoação foi planejado e dirigido imediatamente pelo vigário.

Aos esforços do padre José Bento, à sua influência que crescia com seus serviços, deve-se a transformação da mesquinha povoação do Mandu em uma vila bela, rica e populosa.

As idéias liberais, que por fim abriram espaço em Portugal em 1821, encontraram um sectário sincero e ardente no vigário de Pouso Alegre.

Desde então alistou-se ele nas fileiras do partido liberal de que foi sem contestação um dos mais brilhantes ornamentos.

Nesse mesmo ano procedendo-se às eleições para deputados às Cortes portuguesas, foi o padre José Bento nomeado eleitor da paróquia de Pouso Alegre, depois eleitor da comarca do Rio das Mortes em S. João d’El-Rei e finalmente membro da junta eleitoral da província.

Achando-se na capital como eleitor, distinguiu-se tanto que foi nomeado membro do governo provisório que então foi instalado.

Fez parte do primeiro conselho geral da província de Minas, e nesse cargo revelou-se homem de inteligência superior, de uma firmeza de caráter pouco comum.

Essas qualidades preciosas tornaram-no um dos cidadãos mais populares da província de Minas. Na primeira eleição a que se procedeu para deputados gerais, os mineiros deram-lhe um lugar na deputação da província. De 1826 em diante interferiu constantemente nos negócios do país como representante da nação. Em 1834 sendo apresentado pela província em lista tríplice de que faziam parte os finados senadores Vasconcelos e Manuel Inácio de Melo e Sousa, foi escolhido senador pelo governo regencial.

Por ocasião na sedição militar promovida pelo partido retrógrado em Ouro Preto, no ano de 1833, achava-se o padre José Bento na capital como membro do conselho do governo. Coube-lhe a glória de ser uma das vítimas escolhidas pelos absolutistas. Deposto na noite de 22 de março o presidente Manuel Inácio de Melo e Sousa, depois barão de Pontal, os sediciosos prenderam o vice-presidente da província, Bernardo Pereira de Vasconcelos, então um dos mais proeminentes chefes do partido liberal, e o padre José Bento.

Acompanhados por uma escolta, que tinha ordem de levá-los até fora da província, foram libertados pelo povo da vila de Queluz, seguindo Vasconcelos para S. João d’El-Rei onde foi instalar o governo legal.

O padre José Bento não se contentava com a influência que exercia sobre a opinião por meio da tribuna. Compreendendo que a imprensa é o mais poderoso meio de propagação de idéias levou para Pouso Alegre uma tipografia, na qual publicou por algum tempo o Pregoeiro Constitucional e depois o Recompilador Mineiro.

A primeira publicação impressa da Constituição brasileira foi feita nessa tipografia. Nunca pudemos obter exemplar alguma dessa edição da Constituição; asseveram-nos entretanto que existe.

José Bento foi um dos mais denodados campeões dessa oposição memorável que o partido liberal fez aos desmandos do primeiro reinado. O governo do Senhor D. Pedro I foi por ele combatido energicamente na tribuna e na imprensa. A província de Minas que em cada uma das suas povoações mais importantes tinha um jornal que combatia o poder e advogava as idéias livres, contava igualmente numerosas sociedades patrióticas, que trabalhavam para o mesmo fim.

Em Pouso Alegre, foi fundada em 1831 pelo padre José Bento a sociedade patriótica — Defensora da Liberdade e Independência Nacional.

A direção que o governo regencial nos últimos anos de sua existência dava aos negócios públicos era deplorável. Em vez de procurar consolidar as nossas instituições livres por meio da prática sincera do sistema representativo, o governo da regência, os conservadores que então dominavam só tinham um pensamento: aniquilar todas as gloriosas conquistas do partido liberal, ou antes todo o fruto das nossas revoluções.

O Ato Adicional, o mais seguro penhor da união brasileira, sofrera golpes terríveis com a lei de interpretação de 12 de maio de 1840.

O Código do Processo, que dava perfeitas garantias à liberdade individual, por meio das sábias disposições do processo e por meio de magistraturas populares, era igualmente ameaçado de uma anulação.

Discutia-se então o famoso projeto que foi convertido em lei a 3 de dezembro de 1841 e que tanto sangue custou ao Brasil.

Tratava-se também de restabelecer o conselho de estado anulado em 1834 pelo partido liberal.

A reação era completa. O edifício levantado à custa de tantos anos de sacrifícios esboroava-se assim aos golpes repetidos dos conservadores, que dominavam o governo regencial.

O partido liberal na maior pureza de intenções teve o belo sonho de conservar a liberdade por meio da monarquia. O infante, para quem esse partido generoso havia conservado um trono que pudera ter suprimido, achava-se na adolescência. Nascido em terra de liberdade, educado no meio das festas populares que celebravam o triunfo de 7 de abril, quem melhor do que ele poderia realizar essa ideia feliz?

Tal foi o pensamento do partido liberal quando concebeu a ideia de operar a revolução da maioridade. É verdade que um artigo constitucional seria sacrificado, mas o partido liberal só tomava essa responsabilidade com o fim de fazer parar o carro da reação que ameaçava esmagar todas as instituições livres.

José Bento, democrata da escola de Feijó, abraçou a ideia da maioridade com verdadeiro entusiasmo, e foi um dos seus mais estrénuos propuganadores. Seu nome figura entre os seis signatários do projeto apresentado ao Senado a 13 e rejeitado a 20 de maio de 1840.

Não tendo vingado o outro projeto que o finado senador António Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva apresentara a 20 de maio na Câmara dos Deputados, por ter sido dissolvida a Câmara no dia 22 pelo ministro do Império Bernardo Pereira de Vasconcelos, os deputados dirigiram-se para o Senado e com os senadores e o povo proclamaram revolucionariamente a maioridade.

Nessa memorável sessão o senador José Bento elevou-se a toda a altura do seu talento e do seu patriotismo. Tribuno do povo, advogava com calor a medida revolucionária a fim de salvar as instituições; verdadeiro patriota, moderava as paixões populares para que o triunfo da ideia liberal não fosse manchado por excessos.

Sua figura foi a mais proeminente desse dia popular. Transcrevamos aqui as palavras eloquentes de um escritor liberal, testemunha ocular dos acontecimentos:

“Está vivamente em minha lembrança a cena desse pronunciamento metade parlamentar e imperial, metade popular, que precedeu a investidura antecipada e revolucionária do monarca no exercício de suas altas funções. José Bento Leite Ferreira de Melo, a primeira figura desta joumée des dztpes, ocupava uma das janelas do Senado, e aí abraçado com o busto do imperador exortava o povo impaciente pela demora da comissão, que se dirigira ao paço de S. Cristóvão. Parece-me estar vendo ainda aquela fisionomia móbil e ardente, em que se reverberavam como em um espelho as nobres paixões de sua alma entusiasta e patriótica! A comissão volta; a decisão do príncipe que quer governar desde já é anunciada; e José Bento, delirante de júbilo, congratula-se com todos como por uma faustosa vitória alcançada para a causa do país. Ah! desventurada vítima! se naquele instante iluminando-se repentinamente as trevas, que ocultam aos olhos do homem as páginas do porvir, tu visses em seguida dessa vitória burlada pela ingratidão o Brasil estrebuchando sob as garras de uma facção, as liberdades públicas agrilhoadas, teus amigos lançados nas masmorras e no desterro, tua bela província entregue ao saque e à devastação; e mais longe, teu próprio cadáver ensanguentado, e prostrado em uma estrada pública pelo bacamarte da reação… o que diríeis, o que faríeis?…”

As mesmas causas que levaram o Partido Liberal a operar a revolução da maioridade forçaram-no a recorrer ao extremo dos combates em 1842. Os mais eminentes liberais tiveram uma participação maior ou menor no movimento revolucionário de Minas Gerais e São Paulo. Feijó, Marinho, Otôni e outros confessaram-no com toda a franqueza.

O senador José Bento não foi estranho à revolução. Em sua casa reunia-se o clube de deputados e senadores de S. Paulo e Minas, que concertava os planos do movimento.

Em um discurso que pronunciou no Senado em 1843 o ilustre democrata deixou ver bem claramente a participação que havia tido na revolução.

A sessão de 1843 foi a última a que assistiu o infeliz senador José Bento. No dia 8 de fevereiro de 1844, retirando-se às 4 horas da tarde da cidade de Pouso Alegre para sua fazenda, sita a um quarto de légua de distância, foi assassinado barbaramente por quatro indivíduos seus protegidos, sendo um deles seu afilhado.

O sacrifício dessa ilustre vítima consternou a gente honesta da cidade de Pouso Alegre, e o Partido Liberal de todo o império que acabava de perder um dos seus mais distintos membros.

O senador José Bento era um homem verdadeiramente superior. Com a instrução deficiente que em 1810 exigia-se em um padre conseguiu, à força de talento, tornar-se um dos vultos mais eminentes de um partido em que figuravam muitos homens notáveis. Não era um simples soldado; era um chefe precioso, dotado de inteligência superior que sabia combinar o ataque e a defesa, e de uma vontade firme que não conhecia obstáculos. Estas qualidades davam-lhe grande ascendência entre os liberais. Muitas ilustrações do partido entregavam-se com docilidade à sua inteligente direção.

Enfim, o senador José Bento era tão felizmente organizado, distinguia-se tanto por sua inteligência e pelo seu caráter forte, que, pode-se avançar, se tivesse tido uma educação literária e científica completa, teria sido o primeiro vulto político de seu tempo.

Fonte: Galeria dos Brasileiros Ilustres