
Nesse ano, a cada 2 dias, 1 criança relatou sofrer algum tipo de abuso sexual em Pouso Alegre. Segundo a Secretaria de Políticas Sociais, foram 58 abusos nos primeiros 4 meses desse ano.
O número é assustador, visto que no ano passado inteiro foram 70 casos, sendo 44 no segundo semestre. Metade aconteceu nos bairros São Geraldo e São João.
Segundo a Fundação Abrinq, mais de 80% dos casos acontecem na casa da vítima, e em 78% das vezes, o agressor é pessoa de confiança da família.
A Gerente de proteção social especial, Paula Cristina Bento de Souza, explica o que caracteriza a violência sexual:
“É importante frisarmos bem, que a violência sexual não acontece apenas com o ato consumado, mas com toda forma de natureza erótica. Pode ter contato físico ou não, o uso da força ou não. A exposição de um vídeo, mostrar o corpo, convidar para um toque diferenciado, tudo isso é caracterizado abuso sexual, e traz sérias consequências para a vida dessa criança ou adolescente”, explicou.
Prefeitura apoia campanha contra violência sexual contra crianças e adolescentes

A prefeitura de Pouso Alegre está apoiando a campanha “Pode Ser Abuso” da Fundação Abrinq em 2021. O objetivo é alertar a população sobre os problemas causados pela violência sexual contra crianças e adolescentes.
Conheça alguns sinais que podem ajudar a identificar se uma criança sofre ou sofreu violência sexual:
- A criança está agressiva, irritada ou machuca o próprio corpo;
- Apresenta brincadeiras sexuais inadequadas e que não são próprias para a idade;
- Apresenta marcas de agressão ou machucados, tem dificuldade de andar ou sentar;
- Está desatenta ou desinteressada nas atividades da escola e brincadeiras;
- Está muito quieta, triste, medrosa ou chorosa;
- Evita ir para alguns lugares ou encontrar alguma pessoa;
- Faz desenhos agressivos, que mostram situações de medo ou cenas envolvendo questões sexuais;
- Passou a ter alterações de sono, fica cansada fora de hora ou tem dificuldade para dormir;
- Passou a ter transtornos alimentares;
- Passou a ter transtornos mentais como depressão, ansiedade e automutilação.
Em meio à pandemia alguns indícios podem ser mais comuns, como:
- Barulho de objetos quebrando, choros ou gritos, independentemente da frequência (podem ser pontuais ou recorrentes);
- Mudança drástica de comportamento, por exemplo, uma criança mais agitada e comunicativa passa a ficar quieta e retraída ou vice e versa;
- Silêncio em casas que sempre foram agitadas também pode ser um sinal de que algo não vai bem.
Como denunciar?
Há diferentes formas de denunciar o contra violência sexual contra crianças e adolescentes. Para isso, existe o “Disque 100”. Se preferir, a denúncia pode ser feita ao Conselho Tutelar, Polícia Militar ou Polícia Civil.
No ano de 2020, em todo o país, mais de 14 mil denúncias de algum tipo de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registradas através do Disque 100. Confirme a Abrinq, esse número pode ser bem maior já que muitos casos permanecem em segredo.
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