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Pedido de parceria e mudança em local de doação de marmita gera polêmica em Pouso Alegre

Sugestão era que marmitas fossem destinadas as unidades de acolhimento, onde as pessoas em situação de rua podem receber atendimento de profissionais para reinserção social. Restaurante negou sugestão e disse que prefeitura queria que ele deixasse de doar a comida

29/05/2021 19h15
Foto: Arquivo PousoAlegre•net

Gerou polêmica em Pouso Alegre um pedido feito pelo Secretario de Políticas Sociais, Eyder de Souza Lambert, a um restaurante que há 10 anos doa marmitas a pessoas em situação de rua. [Relembre as matérias do PousoAlegre•net sobre a ação solidária do restaurante: Matéria 1, Matéria 2].

No ofício, além de parabenizar a ação do estabelecimento, é solicitado que se busque junto a Secretaria uma alternativa a distribuição de marmitas na porta do restaurante, e é sugerido, que elas sejam enviadas as unidades de acolhimento, para que sejam consumidas lá.

A justificativa é que devido as doações, parte dessas pessoas optam em ficar nas ruas, ao invés de utilizarem as unidades de acolhimento, onde além de 3 refeições no dia, banho e pernoite, eles recebem cuidados de psicólogos, assistentes sociais e cuidadores.

Além de não receber o acompanhamento desses profissionais, dificultando a reinserção social, essas pessoas em situação de rua – muitas vezes alcoolizadas e drogadas – causam danos, promovem extorsão a transeuntes, e interferem em questões de saúde e sanitárias.

Início da polêmica

O dono do restaurante é Paulo Henrique Vilas Boas, conhecido como Paulinho. Sem aceitar a sugestão, ele publicou o ofício nas redes sociais dizendo que a Secretaria “quer que o Restaurante deixe de doar a comida para os menos favorecidos”. Apesar de publicar o ofício, ele não destaca a sugestão de que as marmitas sejam destinadas as unidades de acolhimento. Mesmo coisa fez um outro veículo de imprensa, que em sua chamada dizia apenas que o “restaurante recebeu ofício para não doar marmita na porta do estabelecimento”.

No ofício não estava escrito explicitamente que a doação de marmita deveria ser interrompida, mas apenas que não fosse feita no local. Paulinho disse que irá continuar fazendo a doação em frente ao restaurante.

O caso, porém, gerou muita revolta. E chegou ao conhecimento do Padre Julio Lancellotti, premiado pelos seus trabalhos sociais.

O padre publicou na rede social, uma imagem apenas com a chamada da matéria, onde não consta a sugestão para que as marmitas fossem enviadas as unidades de acolhimento. E questionou: “Inacreditável que a prefeitura de Pouso Alegre tenha encontrado essa solução!”. Já foram mais de 14 mil curtidas no instagram do Padre, que tem 500 mil seguidores.

Prefeitura emite nota

Em resposta a repercussão, a prefeitura emitiu uma nota reforçando o conteúdo do ofício. Que parabeniza a ação, mas que apenas tentou uma parceria para que a doação não fosse feita naquele local, mas em local apropriado com acompanhamento dos profissionais. Ela termina reforçando que doações fora dos espaços de acolhimento, dificultam a reinserção social.

Campanha

Nos próximos dias, a Secretaria de Políticas Sociais deve lançar uma campanha denominada “A esmola distancia as pessoas em situação de rua dos serviços socioassistenciais”.

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