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Polícia Civil conclui que psicóloga Marilda cometeu suicídio e tentou simular crime em Pouso Alegre

Psicóloga misturou bebida com um remédio para cometer o suicídio. Ela criou cenário para esconder, principalmente dos pacientes, que cometeu o suícidio

16/02/2022 13h41

A Polícia Civil concluiu que a psícologa Marilda cometeu suícidio em Pouso Alegre. Segundo as investigações, a causa da morte foi por asfixia e intoxicação, causada pela mistura de álcool e um remédio, além da falta de ar no porta-malas.

As informações foram passadas em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (16) [Confira a coletiva na integra ao final da matéria]. O Ministério Público teve acesso ao inquérito, e a justiça já pediu seu arquivamento.

Coletiva de imprensa sobre o caso

O corpo da psícologa Marilda Matias Ferreira dos Santos, de 37 anos, foi encontrado pelo marido no porta malas do carro dela na manhã do dia 22 de agosto do ano passado.

O inquérito aponta que a psicóloga não queria que ninguém, principalmente pacientes, soubessem que ela cometeu suicídio. Por isso, ela criou todo um cenário:

  • Disse a um amigo que tinha sido abordada por suspeitos na rua;
  • Inventou para o marido que iria andar de bicicleta até Borda da Mata;
  • Pela primeira vez parou o carro de ré, para que ninguém a visse entrar no porta-malas;
  • Se maquiou, colocou roupa de ciclismo;
  • Tomou os remédios com álcool;
  • Entrou no porta-malas com a chave;
  • Amarrou os pés e fez um laço frouxo nas mãos;
  • Fechou o porta-malas, e esperou o efeito da substância.

Marilda já havia tentado o suicídio outras vezes. A última havia sido 8 meses antes, também por ingestão de medicamentos com álcool. No diário dela, foram encontrados diversas anotações que mostram que ela estava em profunda depressão.

Na casa não havia sinais de arrombamento ou objetos faltando.

Toda a versão dada pela Marido, de que estava trabalhando, de que a procurou na estrada de Borda da Mata, hospitais e outros locais, foi comprovada por câmeras de segurança. Os dois conversavam sobre separação há meses. Mensagens de celular mostram que o Marido não tentava dissuadir a esposa de sair de casa, mas pedia apenas para ela não largar o emprego. Comportamento que para o delegado, mostra que ela não vivia em um relacionamento abusivo.

“Todos esses contextos permitiram concluir que ela praticou suicídio, montou esse cenário e algumas fantasias para demonstrar que seria um crime, porque ela não tinha essa coragem de praticar o suicídio perante pacientes e à sociedade, então ela queria ocultar e demonstrar que faleceu por homicídio, mas de maneira alguma tentou incriminar o próprio marido. A Justiça já manifestou pelo arquivamento do caso”, disse o delegado Rodrigo Bartoli em entrevista coletiva.

“O exame toxicológico apresentou a presença de álcool e fernobabital, que é um anticonvulsivante. A combinação dessas substâncias causa um efeito sinérgico, agindo no sistema nervoso central, causando a parada respiratória. Isso associada a asfixia pelo confinamento no porta-malas no veículo, que também contribuiu”, explicou o médico legista.

Epidemia de suicídios

O delegado Rodrigo Bartoli também comentou a epidemia de suicídios que o país vive. Recentemente, o PousoAlegre•net mostrou que por dia, cerca de duas pessoas chegam ao Hospital Samuel Libânio após tentarem suicídio. Segundo o delegado, os números de suicídios são comparados aos de acidentes de trânsito.

O médico legista Fernando Esbérard, ressalta a importância de que as pessoas em depressão busquem apoio: “Principalmente nesse momento agora de pandemia, de pós-pandemia, nós vivemos uma verdadeira epidemia de suicídios. Nós temos uma quantidade enorme de pessoas anumalmente que tiram a propria vida por suícido. O apelo que a gente faz as pessoas é que não cheguem a essa medida extrema. Busquem ajuda de amigos, da família, de profissionais, do estado, da escola”, ressaltou.

Confira a coletiva na integra abaixo

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