
Um casal foi preso nesta terça-feira (22) investigado de um desvio milionário em empresas de Pouso Alegre. As empresas fazem parte de um grupo familiar e atuam no setor de restaurantes.
Os mandados de prisão foram cumpridos pela Polícia Civil. Wellita Maria Rodrigues Fortes Carvalho foi presa em Itajubá e Túlio Ness dos Santos Carvalho em Pouso Alegre.
Investigação
As empresas acusam o casal de desviar pelo menos R$ 595 mil, mas estimam que o valor total possa chegar a R$ 1 milhão. Somente entre fevereiro e dezembro de 2024, teriam ocorrido 695 desvios.
Wellita foi contratada em 2019 como auxiliar administrativa. Prestativa, ela teria ganhado a confiança da família, com quem passou a conviver e viajar, obtendo amplo acesso financeiro das empresas, onde realizava pagamentos de todas as despesas.
Em 2024, uma das sócias decidiu fazer uma análise minuciosa para entender por que as empresas, mesmo com boas vendas, apresentavam lucros limitados. Foi então que teria encontrado diversos boletos bancários pagos nos nomes de Wellita e familiares. A maioria dos boletos teria como beneficiário o marido, Túlio – ou seja, caia na conta dele.
Segundo a investigação, ao ser confrontada pelas sócias, Wellita teria assinado, sem objeções, uma carta de confissão de dívida no valor de R$ 800 mil. As empresas ainda apuram se houve outros desvios, já que Wellita trabalhou no grupo por cerca de seis anos.
Durante as investigações, as vítimas descobriram que Wellita já responde a um processo por furto qualificado, relacionado à subtração de R$ 100 mil de uma grande empresa de Itajubá onde também teria atuado como funcionária administrativa.
O que dizem os investigados
O PousoAlegre•net procurou o advogado dos investigados. Por meio de nota, ele afirmou que seus clientes se dizem inocentes e que qualquer julgamento seria precipitado. Confira a nota completa:
“Sobre o ocorrido, a defesa informa que tem ciência da investigação e trabalha para que os investigados respondam ao inquérito e eventual ação penal em liberdade, colaborando com as autoridades competentes para que os fatos que lhe foram imputados sejam esclarecidos.
No mesmo sentido, é importante destacar que os investigados defendem veementemente sua inocência.
Por fim, cabe esclarecer que o processo encontra-se em fase inicial de investigação, sendo qualquer julgamento social a respeito da suposta conduta ilícita praticada pelos investigados precipitado, tendo em vista que vigora no ordenamento jurídico pátrio o princípio constitucional da presunção de inocência, de observância geral.”
Justiça considera fortes os indícios de crime
Na decisão que autorizou a prisão preventiva, o Juiz de Direito da 2ª Vara Criminal, José Dimas Rocha Martins Guerra, considerou fortes os indícios de crime. Para o magistrado, a prisão se faz necessária para evitar mais delitos e uma possível fuga que estaria sendo planejada pelo casal.
Além da prisão, a justiça deferiu ainda busca e apreensão nas residências, quebra de sigilo bancário e bloqueio de valores.
Por