
Na véspera do Carnaval, e sem fazer alarde, a Câmara Municipal de Pouso Alegre apresentou as conclusões finais de três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que ainda estavam abertas.
A CPI da Avenida Moisés Lopes, no Faisqueira, apontou uma diferença de mais de R$ 6 milhões entre o que foi pago e o que a Prefeitura conseguiu comprovar como executado. Chama a atenção que 84% da pedra rachão paga não foi comprovada, uma diferença estimada em R$ 5,9 milhões. Fotos também indicam que serviços pagos, como escoramento de valas, não teriam sido executados, entre outros itens.
Segundo a CPI, houve interferência direta, intensa e decisiva de secretário municipal na concepção do projeto, especialmente na escolha do método mais oneroso aos cofres públicos.
Já a CPI da DAC, aberta pela própria base do prefeito, concluiu que não foi possível comprovar irregularidades.
As duas chegaram à mesma constatação da CPI das Tintas, em 2024: a fiscalização municipal foi deficiente, informal e incapaz de aferir quantitativos e conformidade dos serviços executados.
Por fim, a CPI dos Invisíveis foi a única a apresentar fatos novos. Durante o período eleitoral, moradores em situação de rua relataram abordagens por pessoas armadas, sequestros e agressões. As câmeras de monitoramento público não registraram os episódios.
A CPI apontou que o prefeito Coronel Dimas foi formalmente informado sobre as denúncias pela então secretária municipal de Saúde, Rosaly Esther, que acabou exonerada meses depois.
Servidores também denunciaram que um ex-gestor afirmou realizar rondas para “deixar a cidade limpa”, justificando que “a imagem da cidade, afinal, é a imagem do prefeito”.
A Prefeitura de Pouso Alegre foi procurada, mas não quis se pronunciar.
Vereadores evitaram alarde
Chama a atenção a forma como as conclusões das CPIs foram divulgadas. As comissões foram encerradas no ano passado, mas os relatórios finais só foram apresentados na sexta-feira que antecedeu o Carnaval deste ano. A imprensa foi avisada menos de uma hora antes do início da sessão extraordinária.
Com o Carnaval às portas, as conclusões de três CPIs que dominaram manchetes ao longo de 2024 passaram praticamente despercebidas. Nem mesmo vereadores de oposição, que pressionaram durante todo o ano, deram destaque aos relatórios em suas redes sociais.
No mínimo, estranho.
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