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Paciente de Pouso Alegre é enviado para Ouro Fino e família critica regulação do Estado

Caso envolve o CORE-MG, novo sistema do Governo de Minas que tem sido alvo de reclamações de famílias, gestores e deputados em várias regiões do estado. A plataforma substituiu o SUS Fácil na regulação de leitos e passou a centralizar decisões de internação e transferência. Antes, esse trabalho contava com centrais regionais em cidades-polo.

08/06/2026 19h44
Foto: Reprodução ALMG

A transferência de um idoso atendido na UPA de Pouso Alegre para Ouro Fino gerou reclamações da família e colocou em discussão o CORE-MG, novo sistema de regulação de leitos implantado pelo Governo de Minas.

Segundo Alini Sibinelli, filha do paciente, o pai deu entrada na UPA com um quadro grave de infecção na vesícula. Ela afirma que a transferência para Ouro Fino ocorreu sob a justificativa de falta de leitos no Hospital das Clínicas Samuel Libânio, em Pouso Alegre.

A família questiona principalmente a distância. Para Alini, o envio do pai, Elson Sibinelli, de 76 anos, para outra cidade dificultou o acompanhamento familiar em um momento de fragilidade.

“Meu pai foi jogado em um hospital, sem poder ter a família próxima dando apoio. Ele já vinha se sentindo só desde que minha mãe faleceu. Agora, literalmente, ele está só”, disse Alini.

Ainda segundo a filha, o quadro do pai piorou após a transferência. Ela relata suspeita de infecção generalizada, paralisação dos rins e coma. As informações sobre o estado clínico foram repassadas pela família.

Alini afirma que os parentes precisaram agir por conta própria para conseguir uma nova transferência, desta vez para Mogi Guaçu, no interior de São Paulo.

O caso ocorre em meio a uma série de reclamações sobre o CORE-MG em Minas Gerais. A plataforma substituiu o SUS Fácil na regulação de leitos e passou a centralizar decisões de internação e transferência. Antes, esse trabalho contava com centrais regionais em cidades-polo.

O Governo de Minas afirma que o novo sistema foi criado para tornar a regulação hospitalar mais ágil, segura, transparente e integrada. Segundo o Estado, a plataforma permite melhor acompanhamento da ocupação hospitalar, qualificação dos dados clínicos e encaminhamento dos pacientes para o leito mais adequado.

Apesar disso, a implantação tem sido alvo de críticas. A Associação Mineira de Municípios informou que recebeu relatos de gestores municipais e profissionais de saúde sobre instabilidades no sistema, dúvidas nos fluxos de regulação, dificuldades de suporte técnico, impacto no transporte de pacientes e preocupação com transferências para unidades fora das referências regionais.

Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputados também criticaram a mudança. Parlamentares relataram denúncias de pacientes direcionados para vagas inexistentes, hospitais sem a especialidade necessária ou unidades muito distantes da cidade de origem.

O deputado federal Rafael Simões, ex-prefeito de Pouso Alegre e uma das principais lideranças políticas da região na área da saúde, também se manifestou sobre o tema. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que a mudança tem gerado incerteza para pacientes e familiares.

“Eu acho que evolução é necessária, mas devemos fazer isso com muito cuidado, porque estamos falando de vidas, e tempo é vida. Por isso, Governador, converse com o Secretário de Estado de Saúde para rever essa posição”, disse o deputado.

A implantação do CORE-MG também foi parar na Justiça. Uma liminar chegou a determinar a suspensão do novo modelo e a retomada do SUS Fácil. Depois, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais suspendeu os efeitos dessa decisão, permitindo a continuidade da implantação do sistema.

Para a família do idoso de Pouso Alegre, o debate estadual tem impacto direto na vida real. A reclamação não é apenas sobre uma vaga hospitalar, mas sobre a distância entre o paciente e a família durante um momento grave.

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