
Três ex-funcionárias que atuavam no transporte escolar de Pouso Alegre afirmam que foram demitidas após denunciarem supostas irregularidades na garagem municipal. Elas eram contratadas pela empresa terceirizada RM, que presta serviço para a prefeitura.
Os relatos foram divulgados em vídeo publicado pelos vereadores Israel Russo e Leandro Moraes na semana passada. Segundo os vereadores, as denúncias surgiram depois de uma fiscalização na garagem do transporte escolar.
Na visita, os vereadores dizem ter encontrado ônibus em condições precárias, ambiente de trabalho inadequado e indícios de assédio moral. O caso já havia sido encaminhado ao Ministério Público (MP) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
No vídeo, as ex-funcionárias relatam que foram colocadas em férias logo após a fiscalização. Pouco tempo depois, segundo elas, receberam aviso prévio de demissão.
Elas também alegam que foram pressionadas a assinar atas nas quais eram acusadas de insubordinação por terem conversado com os vereadores. Segundo as ex-funcionárias, houve coação para a assinatura dos documentos e a empresa responsável teria negado cópias das atas.
As trabalhadoras disseram que atuavam no cuidado das crianças transportadas e que alertaram sobre problemas nos ônibus.
“A gente estava ali há bastante tempo dando o melhor todos os dias, deixando a nossa família em casa para cuidar de outras famílias. De crianças de outras famílias”, disse uma das trabalhadoras.
Outra afirmou que a situação foi triste e revoltante. “A gente trabalhava pela melhoria, porque os ônibus lá não eram adequados para as crianças, então pra gente ficou uma coisa revoltante porque é uma coisa que a gente falou a verdade”, completou.
O vereador Leandro Moraes afirmou que os relatos podem caracterizar assédio moral e tentativa de intimidar trabalhadores que denunciam possíveis irregularidades.
Israel Russo informou que os novos depoimentos serão encaminhados ao MP e ao MPT para apuração.
A empresa RM respondeu, por nota, que não recebeu a denúncia dos vereadores e que não pode fornecer informações relativas aos funcionários devido à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Pouso Alegre, que não se pronunciou até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.