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Samuel Libânio reforça campanha sobre doação de órgãos em Pouso Alegre

Hospital Samuel Libânio usa o Setembro Verde para lembrar que, no Brasil, a autorização da família é necessária para a doação após a morte.

25/09/2026 13h59
Foto: CHSL

O Complexo Hospitalar Samuel Libânio (CHSL), em Pouso Alegre, realizou ações de conscientização sobre doação de órgãos durante a campanha Setembro Verde, em referência ao Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos, celebrado em 27 de setembro.

A campanha incluiu atividades com a população e entrevistas com pacientes transplantados. O foco principal foi reforçar a importância de conversar com a família sobre o desejo de ser doador, já que, no Brasil, a autorização dos familiares é necessária para que a doação após a morte seja realizada.

A médica nefrologista Daniela Zica, coordenadora do Serviço de Transplante Renal do CHSL, afirma que a doação representa uma mudança concreta para quem espera por um órgão.

“Para quem está na fila de transplante, a doação de órgãos significa muito mais que um tratamento, ela significa a esperança de voltar a viver, de realizar sonhos, de continuar ao lado de seus familiares, de continuar escrevendo os capítulos da sua própria história“, afirma. De acordo com Daniela Zica, para que essa esperança se torne realidade é essencial conversar sobre a doação de órgãos. “Temos que falar com nossos familiares sobre o desejo de sermos doadores, pois no Brasil é imprescindível para que uma doação seja consentida a autorização dos familiares“, explica.

Segundo o CHSL, o hospital está habilitado para realizar transplantes renais, de córneas, cardíacos, de medula óssea e de ossos. A instituição informa ainda que já fez mais de 300 transplantes renais desde 1989.

Para Daniela, o número poderia ser maior se houvesse mais doadores. “Esse número poderia ser muito melhor se tivéssemos mais doadores. Falar de doação de órgãos ainda é um tabu que precisa ser superado. É muito importante que seja trabalhado esse desejo altruísta de fazer a transformação na vida das pessoas“, reforça a médica.

A nefrologista também aponta que o transplante renal tem impacto sobre o sistema de saúde, por reduzir a necessidade de tratamentos contínuos, como a hemodiálise.

“Ele alivia o sistema de saúde, reduzindo a necessidade de tratamentos contínuos e caros, como a hemodiálise. Isso libera recursos que podem ser direcionados para outras áreas da saúde, beneficiando ainda mais pessoas“, analisa Daniela.

O Dia Nacional da Doação de Órgãos foi instituído pela Lei nº 11.584/2007 para promover a conscientização da sociedade sobre o tema. No CHSL, o enfermeiro Paulo Sérgio dos Reis, da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes, a e-DOT, afirma que a decisão familiar costuma ocorrer em um momento de dor, o que torna a conversa prévia ainda mais importante.

“Esse tema é bonito e delicado ao mesmo tempo, pois falamos da perda da vida de alguém que vai salvar a vida de outra pessoa. A doação de órgãos é um ato muito bonito, mas para que isso aconteça precisamos que tenha um óbito e que a família esteja disposta a fazer essa doação. Por isso é tão importante essa conscientização, essa conversa que a pessoa tem que ter com a sua família“, explica.

Entre os pacientes ouvidos pelo hospital está José Raimundo Pereira, morador de Pouso Alegre, pai de três filhos, avô de sete netos e bisavô de quatro bisnetos. Ele foi transplantado há três meses, após 27 dias de hemodiálise.

“Pra mim foi exatamente uma perspectiva de viver mais, pois eu acredito que esse transplante prolonga a minha vida e traz esperança para que eu possa passar mais tempo junto às pessoas que eu amo. Foi uma bênção que eu recebi de Deus. Por tudo isso, eu agradeço primeiramente a Deus, à família doadora, e toda equipe hospitalar que me ajudou muito. Eles fizeram eu acreditar que tudo podia dar certo e deu certo“.

Gabrielly Ribeiro Souza, de 21 anos, também recebe tratamento no CHSL. Ela já passou por três transplantes, é influencer e trabalha em uma farmácia em Ouro Fino.

“Eu amo piscina e poder tomar um banho de corpo inteiro sem se preocupar ou não em molhar o cateter é uma sensação maravilhosa. Poder conhecer uma cachoeira e o mar, que nunca tinha conhecido…tudo isso é maravilhoso. O transplante é uma salvação de vida pra gente e eu só tenho a agradecer o tratamento que venho recebendo aqui nesse hospital“.

Outro paciente citado é Marcos de Araújo, representante comercial de Pouso Alegre. Ele recebeu um novo rim em 31 de julho de 2024 e, aos 53 anos, afirma estar se sentindo cada vez melhor.

“Toda vez que venho no hospital passo na capela para agradecer, nunca vim aqui para pedir, só para agradecer. Quem tem fé, tem tudo. Aqui fiz amizade com todos desde as pessoas da limpeza até os profissionais de saúde que sempre me ajudaram na recuperação e no tratamento. São muitas pessoas que participaram do meu processo e tenho muita gratidão por todos. No meu caso, eu rejeito 80% dos rins que são compatíveis comigo. Então, foi incrível ter participado com sucesso desse transplante renal preemptivo e sem ser familiar. É um milagre. Eu falo que eu sou um milagre vivo“.

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