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Ministério Público instaura procedimento contra prefeito de São Lourenço (MG) por ‘tratamento precoce’

Prefeito gravou um vídeo dizendo que desde o dia 21 de fevereiro não há moradores da cidade internados com Covid-19. E isso não é verdade

Prefeito gravou vídeo dizendo que reduziu internações com tratamento precoce, sem comprovação científica (Foto: Redes Sociais)

O Ministério Público instaurou nesta sexta-feira (19) um procedimento administrativo de acompanhamento de políticas públicas contra o prefeito de São Lourenço, Sul de Minas. O motivo é que Walter José Lessa (PTB) tem incentivado um ‘tratamento precoce’, sem comprovação científica.

Entre os remédios apontados pelo prefeito, está a Ivermectina, remédio usado no combate à vermes, parasitas e piolhos.

Recentemente, o prefeito gravou um vídeo dizendo que desde o dia 21 de fevereiro não há moradores da cidade internados com Covid-19. E isso não é verdade.

Houve sim internações e mortes por Covid-19 após o dia 21 de fevereiro, como aponta o próprio boletim da prefeitura de São Lourenço (MG). A prefeitura registrou ao menos três internações e três óbitos de moradores da cidade nesse período.

Além disso, os estudos mais sólidos divulgados desde o início da pandemia rejeitam a eficácia de medicamentos para prevenir ou tratar precocemente a infecção.

Para de fato atestar se um remédio promove benefícios a pacientes com covid-19, são necessários ensaios clínicos bem estruturados com metodologias rigorosas que possam excluir vieses e interferências aleatórias da análise. No caso da covid-19, o desafio é ainda maior, uma vez que a grande maioria dos pacientes infectados com o coronavírus se recuperam sem a necessidade de intervenção médica. Isso explica também porque relatos pessoais de pacientes não têm validade para determinar se um medicamento realmente funcionou ou não teve efeito algum.