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MP arquiva procedimento que apurava incentivo ao ‘tratamento precoce’ em São Lourenço (MG)

Prefeito atribuiu ao tratamento precoce redução nas UTIs em determinado período, mas mortes de moradores da cidade dispararam, e taxa de letalidade é maior do que a de moradores de Pouso Alegre. Segundo o promotor, tratamento em São Lourenço é iniciado somente após prescrição médica

Lessa disse que ‘zero internação’ era devido tratamento precoce. Mas números subiram (Foto: Reprodução Redes Sociais)

O Ministério Público arquivou nesta terça-feira (13) o procedimento administrativo contra o prefeito de São Lourenço que apurava incentivo a ‘tratamento precoce’ sem comprovação cientifica (que passou a ser chamado de tratamento inicial). Segundo o promotor de justiça, Pedro Paulo Barreiros Ainas, ao analisar os documentos protocolados, verificou-se que a escolha do tratamento fica a critério da relação médico-paciente.

O promotor informou que o ‘protocolo contra a Covid-19’ elaborado pelo comitê municipal é iniciado somente depois de ser prescrito pelo médico. A prefeitura disse que fez campanhas para desencorajar a automedicação.

Segundo a denúncia que deu origem ao procedimento, as declarações do prefeito criam uma falsa sensação de segurança e abre espaço para que agentes públicos não estabeleça medidas restritivas que controlam a transmissão do vírus. Na semana passada, São Lourenço foi obrigada pelo TJMG a seguir a Onda Roxa após as mortes e ocupação de leitos dispararem na cidade.

Prefeito atribuiu ao tratamento precoce redução nas UTIs

O procedimento foi aberto pelo MP após o prefeito de São Lourenço, Walter Lessa (PTB), gravar vídeos atribuindo, com todas as letras, ao ‘tratamento precoce’ e medicamentos sem comprovação cientifica contra a Covid, como a Ivermectina, um período com zero internação e óbitos na cidade.

“Instituímos através de nossa equipe multidisciplinar o tratamento precoce [com ênfase] logo no início do quadro da doença. Isso mudou toda a lógica, toda a curva de internação. Passamos a ter zero de internação e zero de óbitos na cidade de São Lourenço. Então esse foi o grande diferencial. O tratamento precoce [com ênfase] deve ser instituído para evitar as complicações que levam os pacientes a internação, a UTI, e as vezes a um desfecho fatal”, disse Lessa em vídeo com um vereador de Uberlândia.

Lessa disse ainda que abriu frentes de abordagem com os medicamentos: “Nós fizemos o protocolo preventivamente nas unidades de saúde, o que é muito importante. Nós abrimos 10 [enfase] frentes de abordagem com a Ivermectina, naqueles que queiram tomar, nada é obrigatório aqui, e no sintomático respiratório foi usado o protocolo azitromicina, a dexametazona, o zinco e a vitamina C. E com isso nós praticamente zeramos as internações na UTI de São Lourenço”, disse Lessa no mesmo vídeo.

Mortes e ocupação de leitos por moradores de São Lourenço aumentou, e taxa é maior que de Pouso Alegre

Segundo o boletim da própria prefeitura de São Lourenço (confira abaixo), nos últimos 14 dias (31 de março a 14 de abril), foram 284 casos confirmados, e 10 mortes de moradores da cidade. O que representa uma taxa de letalidade de 3,52%.

A taxa é maior que a de Pouso Alegre para o mesmo período. A cidade registrou 2.091 novos casos e 61 mortes de moradores de Pouso Alegre. O que representa 2,9% [Obs: a taxa de letalidade divulgada no boletim da prefeitura de Pouso Alegre se refere aos números da cidade durante toda a pandemia, e não de um período específico].