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Após PM considerar caso agressão leve, Polícia Civil instaura inquérito por tentativa de homicídio contra vigilante em Pouso Alegre

Enquadramento dado pela PM está sendo amplamente criticado por juristas; Usuário de drogas perfurou o torax do vigilante com cabo de vassoura, mas não foi sequer levado a delegacia, saindo do hospital direto para a rua; Ele tem extensa ficha criminal

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Foto: Redes Sociais

A Polícia Civil informou nesta quarta-feira (22) que instaurou um inquérito Policial por tentativa de homicídio contra o vigilante vitimado neste domingo (19) no Albergue de Pouso Alegre. O caso havia sido enquadrado pela Polícia Militar apenas como lesão corporal, com agressão leve.

O usuário de drogas que perfurou o tórax do vigilante não foi sequer levado a delegacia. Ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e saiu do hospital direto para rua.

Segundo a Polícia Civil, o delegado de Crimes contra a Pessoa, Rodrigo Bartolli, ouvirá os envolvidos, reunirá os elementos do fato, e concluirá o inquérito com o devido indiciamento. O Promotor Márcio Henrique, do Ministério Público, também acompanha o desenrolar do caso.

Ao PousoAlegrenet, a Polícia Militar disse que seguiu a legislação e que os médicos disseram que as lesões foram leves, e que o vigilante não correu risco de morte.

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A lesão não afetou nenhum órgão, mas foi por questão de milímetros. O PousoAlegrenet viu as imagens do vigilante no hospital. O pedaço de cabo de vassoura entrou pela axila, e quase saiu pela garganta do vigilante.

Porém, o enquadramento dado pela PM está sendo amplamente criticado e considerado um grande erro por diversos juristas ouvidos pelo PousoAlegrenet. Apesar de o vigilante não ter sofrido ferimento grave, só o intuito do usuário em pegar um objeto pontudo e perfurar o peito do vigilante, já configura tentativa de homicídio, independente de ele ter conseguido ou não.

Vigilante quer justiça e teme que usuário cometa mais crimes

O vigilante está revoltado. Ele conversou com o PousoAlegrenet: “Se fosse ao contrário, e eu tivessem metido 2 tiros no peito dele? Sim, eu estaria respondendo por tentativa de homicídio. É uma inversão de valores e falta de competências dos órgãos para poder nos ajudar. Como o autor do crime é liberado do hospital após o acorrido e nem para a delegacia foi encaminhado?”, questionou o vigilante.

Para piorar, ele ainda conta que outros usuários de drogas passaram a ameaçar os vigilantes: “O mesmo está solto na rua, e já teve um companheiro dele que foi na rodoviária ameaçar os vigilantes por conta de eu ter dado um tiro na perna dele, querendo comprar briga, o mesmo foi detido pelos vigilantes e acionaram a PM”, conta.

O agressor tem várias passagens pela polícia, como roubo, homicídio e outros: “O agressor tem várias passagens pela polícia, como homicídio, Maria da Penha, e outras. Usuário de drogas e morador de rua, sustentado pelo albergue há muito tempo. Sempre causando problemas por onde passa. Uma semana antes estava preso por agredir sua companheira, que também é moradora de rua e frequenta o albergue. Foi pego em flagrante pela PM. Só não ficou preso porque a mesma não deu queixa. Isso aconteceu em frente ao albergue praticamente no mesmo local do crime contra o vigilante (eu). Não se trata de uma pessoa comum. Se trata de um marginal. Que estando solto possa vim fazer mal a outras pessoas.

Procurada, a PM disse que agiu de acordo com a legislação, e que quem constatou as lesões leves foi o corpo médico hospitalar.

O crime

O crime aconteceu no domingo (19) durante a fila de entrada para o albergue. Aparentando estar sob efeito de álcool ou drogas, o morador de rua chegou causando tumulto no local, tentando entrar para agredir um outro morador.

O vigilante advertiu o homem, que pego um cabo de vassoura e perfurou o peito do vigilante. Machucado e tentando evitar um novo golpe, o vigilante deu um tiro na perna do morador de rua.

Polícia e Corpo de Bombeiros estiveram no local. Os dois foram encaminhados para o hospital. Poucas horas depois o homem já estava na rua. O vigilante também teve alta.