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Laudo Pericial da Justiça aponta falhas na construção como predominantes em desabamento em Pouso Alegre

Complexo esportivo desabou em um temporal em 2017, 9 meses após ser entregue. Laudo feito por perito nomeado pela justiça, apontou uso de materiais diferentes do especificado, falhas na soldagem, e falta de chumbadores e placas de base

Complexo esportivo ficou totalmente destruído com vendaval (Foto: Prefeitura)

Um laudo pericial apontou que falhas na construção foram fatores predominantes no desmoronamento de um complexo esportivo no bairro Cidade Jardim em Pouso Alegre. O PousoAlegrenet conseguiu acesso ao laudo pericial emitido em junho de 2018 pelo engenheiro civil e perito definido pela justiça.

Segundo o laudo pericial, alguns materiais empregados pela construtura não estavam em conformidade com o especificado no processo licitatório. Ainda conforme o laudo, os seguintes fatores foram predominantes no desmoronamento:

  • Falta de chumbadores;
  • Falta de placa base nos blocos de concreto;
  • Falha na execução de soldagens;
  • Falta de placa de base na cabeça dos pilares (união dos pilares com treliças);

Laudo Pericial de engenheiro nomeado pela justiça apontou que falhas foram determinantes para desmoronamento (Foto: PousoAlegrenet)

O laudo pericial também apontou que as estruturas deveriam ser dimensionadas para ventos de até 126 km por hora, mas foram dimensionadas abaixo do que deveriam. A classificação da tempestate indicou ventos de até 102 km por hora.

Prefeitura processa construtora

O desmoronamento aconteceu durante um temporal em outubro de 2017. A obra havia sido entregue há apenas 9 meses, em 28 de dezembro de 2016, nos últimos instantes da gestão Perugini (PT).

A construtora foi a Santos Bertoldo Ltda, de José Antônio dos Santos, pai dos políticos André Prado (PV), vereador de oposição, e Raphael Prado (PV), ex-secretário na gestão Perugini (PT). A obra foi feita pela construtora com recursos do Governo do Estado, durante a gestão Pimentel (PT).

Após o desmoronamento, a prefeitura reconstruiu o complexo com recursos do próprio município. Por isso, a prefeitura entrou com uma ação na justiça pedindo que a empresa ressarça R$ 491 mil gastos na reconstrução. Segundo a prefeitura, a empresa se negou a reparar os danos.

Quadra do cidade jardim foi reconstruída (Foto: Prefeitura)

O que diz a construtora

Procurada a construtora disse que não comentará processo em andamento. Na nota enviada pela construtora para a matéria divulgada ontem, terça-feira (26), a empresa disse que nenhum dos laudos teria chegado a uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade, e que um problema político impediu a empresa de reparar os danos. Confira a nota completa:

Em relação ao colapso da cobertura da quadra no Cidade Jardim, a Construtora Santos e Bertoldo Ltda esclarece:

– Foram realizadas perícias por quatro peritos (um do juiz, um assistente da prefeitura e dois assistentes da construtora) e nenhum deles chegou a uma conclusão definitiva até o momento;

– A construtora buscou soluções para reparação dos danos mesmo sem a definição de responsabilidade, às suas próprias custas, mas não foi aceita pela prefeitura;

– Foi contratado novo projeto pela prefeitura, o que pode indicar falha no projeto inicial (feito pela CONEPP de Belo Horizonte), o que pode indicar falha no projeto original;

– A obra ainda não foi paga, sendo a Construtora credora de aproximadamente 800 mil reais com ação de cobrança ajuizada na justiça.

– O problema que impediu os acertos para a reparação dos danos é político.